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22/01/2010 18:22 Aqui sempre foi meu lugar.
Parecia uma miragem boa, uma alucinação. Mas tinha sido real. Eu nem sabia que o momento fora registrado, mas a filmagem era de fato idêntica à cena da minha memória. Embora estivesse sempre no nosso caminho, no caminho do mar, aquele recinto não nos abalara instante algum até então. O Quiosque da Baixinha era um cantinho ocluso e especial daquilo tudo que é o Paraíso. Naquele fim de tarde cinegrafado por não sei quem, em segundo plano tocava a mais sensacional bandinha de pagode de todos os tempos. E a melhor canção dos últimos anos. Com uma cadência própria e um timbre singular, vocalista e demais músicos entoavam o hino da Sacanagem, cujo enredo rebelde e original seria capaz de encantar a todo o país, incluindo o oceano. Principalmente àquela equipe de sete ou catorze jovens, que resolveram parar por ali na volta da última tarde do feriado prolongado. À minha direita na roda do pagode, aquele que é, provavelmente, o cidadão mais palhaço de toda a mesorregião do Campo das Vertentes, alcunhado Léo Portela, o Poeta das Quatro Estações. Seria a minha versão negra, com uma voltagem muito mais elevada. Seu gingado no samba era visivelmente mais profissional, e isso também nos diferenciava. Graças a este sujeito, nossa expedição já tinha uma exclusiva trilha sonora. Versos simples, malandros, de fácil assimilação, compostos no improviso. Nas imediações, monitorando todos os seus passos, estava sua cônjuge, a compenetrada Carol. Feito um cão de guarda, ela investia seus esforços em tentar botar o caboclo na linha, ou, pelo menos, fazer com que ele se comportasse de modo civilizado e aceitável pela sociedade. É, mas não adiantou muito. Completando o triângulo de bêbados no Pagode da Sacanagem, o franzino Robson ou Robinho. Porte jovial, cara de moleque. Devia ter menos do que vinte e poucos anos. No entanto, exercia uma influência sobre a equipe que causava admiração. Bem articulado, inteligente, presença colossal. Pensando bem, devia ter seus quarenta e cinco anos de idade. Homem de família, para casar. Sua esposa Dani, pequenina, compatível com o rapaz, por ele transbordava orgulho e paixão. No balcão do boteco, o gigantesco André acena e sorri para o câmera man. Ele consagrou-se por ser especialista em hibernar na areia e em ingerir doses cavalares de whisky. Confesso que frustrei minhas tentativas de acompanhar o garotão no copo. O time dos machos ainda contava com o cruzeirense Marcelo. Ele patenteou a gargalhada mais hilária do planeta, que, por sinal, foi reproduzida fielmente pelo galã Frederico. Aniquilando as fronteiras geográficas que a distanciavam do Oásis da Virada, a simpática Marcela, do Triângulo Mineiro, também deu as caras. O sotaque caipira e a voz extremamente aguda nos momentos de exaltação são suas marcas registradas. A talentosa Polly seria a maestra deste esquadrão. Ao contrário dos demais, ela vive a flor da idade e esbanja vitalidade e juventude. A numerosa equipe Voltemos à bandinha de pagode do Quiosque da Baixinha. Sim, eles tiveram que repetir o tema da Sacanagem. E, ao que parece, quem mais gostou desta canção foi a ensolarada Renata, a mais carismática e desengonçada representante do sexo frágil na nossa patota de foliões. Depois de vários ensaios vãos, ela conseguiu decorar o singelo refrão. Encalhadas não é sinônimo de Solteiras. Que, por sua vez é o mesmo que Avulsas. E na trupe das avulsas havia uma autêntica e carinhosa garotinha. De óculos escuros, ela rebolava ao som da Sacanagem, sob a sombra que era uma trégua naquela praia cálida. Seu nome não poderia ser outro: Lavínia. Ou melhor: Valquíria. Valéria, Vitória, Virgínia. Bom, isso não importa. Além dela, a bitela, porém delicada Mônica disseminou sua doçura pelo litoral fluminense. Ela apresentava uma certa falta de postura para dormir, o que não chegou a diminuir o seu encanto. O choro do cavaquinho embalou a emoção do divertido conglomerado de mineiros. O show se findou e foi a vez de executarem novamente a Sacanagem, agora no som mecânico. E lá estava ela, também flagrada no curta-metragem: a infalível, onisciente e perfeita Thaisinha. Psicóloga e cozinheira da turma, ela tem se consagrado já há vários anos pelo seu eficiente fornecimento de toalha e amor. Por fim, a radiante Mariana, cuja imensa estatura tornava-se quase imperceptível diante da pureza emanada, que só deixava transparecer o jeitinho de menina. Ela não levava muito jeito com as bebidas alcoólicas. Por outro lado, cuidou muito bem de um certo porco bêbado que pintou no seu verão. Cinco dias no Paraíso Desde que muito precisamente negociado com os sentinelas das areias de Cabo Frio, não havia mal nenhum em ali se alojar de posse de um isopor abarrotado de cerveja. E naquele contexto afloravam as mais inusitadas babaquices. Descobriu-se que as músicas ficam incrivelmente mais interessantes com as respectivas letras integralmente adaptadas para o plural. Se a Itaipava não desse suficiente onda, bastava buscar em casa o restinho do whisky Cavalo Branco, em bom português. E como havia muita gente na casa, foi necessário elaborar um nome científico para cada um, a fim de se facilitar a identificação. Além do parque de diversões criado em terra firme, nós nos aventuramos com um passeio de Banana-boat, em alto mar, que infelizmente foi mal-sucedido devido às constantes sabotagens praticadas. E não houve coisa mais linda de se ver do que o primeiro pôr-do-Sol de 2010. Bem, na verdade o Sol estava nascendo. A belíssima paisagem foi o mais fabuloso cenário para ensaios fotográficos, lembranças a quem desistiu na última hora de comparecer, e, por que não, uma quedinha de luta livre na areia. Naquele espetáculo natural, o amor se manifestava de maneiras ecléticas. Certamente, em algum lugar do Brasil, um casal de dois rapazes apaixonados há de ter em seu álbum de férias uma fotografia com a eletrizante turminha de São João del Rey. Houve quem voltasse de lá sem condições de dialogar, devido à má administração de whisky no último dia de praia, ou com um bronzeado irregular mais especificamente caracterizado por um traço alvo justamente no ponto para o qual convergem os pneus abdominais e até com a traumática recordação de um ingresso, por engano, no quiosque gay. No final das contas, ficou a esperança e a certeza de que 2010 vai ser Dez. Então, vamos simbora sambar. Bota a cerva pra gelar. 2010 já chegou. Que alegria! E na volta não se esqueça. Pare no Quiosque da Baixinha, porque o pagode da Sacanagem já vai rolar!
enviada por Matheus 06/11/2009 00:46 Antuérpia Mineira - O II Encontro Antuérpia é a segunda maior cidade da Bélgica. É conhecida como centro mundial de lapidação de diamantes. Lá, são negociados 80% dos diamantes brutos do mundo. A prosperidade desta cidade ao longo do século XV atraiu inúmeros judeus, expulsos de Portugal após a implementação da política antissemita, ligada à religião católica... (Wikipedia)
Algo em comum entre a localidade europeia e o refúgio da melhor equipe do mundo durante o mais recente feriado prolongado? A Fazenda Antuérpia Mineira fica em meio à natureza, comunidade do Paraíso, na cidade conhecida como Terra do Nunca. Parece até conto de fadas, mas trata-se apenas de uma malandragem do destino... o mesmo que havia nos reunido, há cinco anos. Para sempre. Como guardiã deste oásis, uma equipe de seis valentes cães foi escalada. Durante as 72 horas em que lá estivemos, eles nos cercaram, cheiraram, e, por diversas vezes, defecaram nas imediações sempre zelando por nossa proteção. Não haviam pernilongos, mosquitos e moscas, mas, sim, milhões de coloridas abelhas. Elas também nos vigiavam dia e noite. Somente em último caso cessavam a ronda, para fenecerem afogadas em nossos copos de cachaça ou refrigerante. Ao cair da noite, sorridentes e úmidos sapinhos roubavam a cena e nos faziam companhia. Na vizinhança, um providencial produtor de aguardente. A chuva da semana deu uma trégua no feriado, conforme havia sido previamente negociado com a mãe-natureza. Um encontro, de fato, com o Paraíso. Nos bastidores da Fazenda, dona Dagmar e seu esposo, um casal de simpáticos idosos, mantinham-se a postos, no intuito de assegurar que nada nos faltasse nem mesmo energia elétrica. Quando menos esperávamos, o jovem e loiro Gabriel, outro habitante do pequeno povoado, também deu as caras. Não vi Pelé, nem Zico em campo: mas vi Gabriel. No amistoso de segunda-feira, ele foi genial. Um mago com a bola nos pés! A roda de violão, desta vez, teve pandeiro e pagodes antigos. E, claro, homenagens aos ausentes. Cerveja, pinga, vodca infinitas. Cozinheiros de mão cheia. Sapo morto na piscina com a língua de fora. Desfile na passarela, nado sincronizado, saltos mortais. E uma expedição pela cidade, Festa Popular. Um fantástico jogral organizado dentro do ônibus, a caminho da balada. Integração no Capelão, como nos velhos tempos. Expulsão do quarto, da cama, do sindicato. Ensolação, hidratante, adolescentes, agregados. Paradinha para o Pânico na TV. CQTeste, Bloco dos Coalas. Um Salve. Outro Salve. Joelho quebrado e uma escala no melhor hospital do Brasil. Ah, e o oportuno Tucanão.... Antuérpia da Bélgica. Antuérpia Mineira. Em maioria, éramos católicos, sendo que alguns já tinham passagens por Portugal (e não me pergunte os meios para tanto). Contudo, nenhum dos hóspedes tinha, em absoluto, algo a ver com a tal política antissemita. Quanto ao lance dos diamantes... só pode ser a última das pegadinhas do destino. Pois não existe tesouro maior do que essa amizade que dilacera as distâncias e reacende a cada encontro. A impressão é de que o tempo parou naquele baile de formatura, e a gente nunca se separou. Valioso como Diamante lapidado! ... assim que a gente se reencontra, é como se tivesse parado naquele ponto da fita. Tudo recomeça de onde parou. Tudo é familiar, tudo é conhecido, mesmo que seja novidade. Dá uma sensação de que você esteve sempre ali, por mais que tenha estado distante. Tudo é compreensão e conforto, carinho e amor." (autor desconhecido)
enviada por Matheus 29/10/2009 19:17 Questão psicológica - parte 1 O Futebol e o Futuro Hoje tem jogo do meu time. Sair mais cedo do serviço, ligar a TV e o rádio. Acompanhar a rodada. Secar os adversários. Tudo nos conformes, o jogo é fácil. Foi um dia duro, mas vai valer a pena. Já botei umas latinhas pra gelar. Propus um desafio a uma gata que torce pro rival: a cada gol do Cruzeirão, vou enchê-la de beijos. Linda como estrela de TV. Não vejo a hora de botar meu time em campo. Mas o improvável acontece. Dez minutos para o fim e o exército azul, até então, sucumbe em pleno Mineirão. Será possível? Meu dia já fora tão desgastante! Patrões retrógrados, não falam a minha língua. A dor no joelho atacou de novo. O pagamento não caiu na conta. A gatinha brincando de esconde-esconde. Só faltava essa: meu time perder. Eu não mereço, definitivamente. Mas a esperança é a última a me abandonar. A frustração é a energia que acredito reverter para o bem do meu time. E a reação vem. No último lance, a explosão de alegria! Vitória suada! Estamos vivos! Ora, que dia bom e proveitoso! Falando nisso, a cerva tá geladaça. Hoje vou comemorar! Sim, tudo vai dar certo.
enviada por Matheus 26/10/2009 22:57 Do jeito que sonhei Era um daqueles raros momentos: preferi omitir as aulas da faculdade em prol da permanência no lar. Um momento de reflexão. Deitado na beira da piscina, eu me recordava das viagens feitas por meu raciocínio durante a última ilusão noturna. Faz mais de três anos que eu tive aquele sonho e acordei meio que chorando seco. Na madrugada, ela me fazia indagações muito estranhas. Por que você só tem um brinco? Por que tá balançando a barriga?. Tinha ideias incompreensíveis, como querer dançar músicas do Casaca na hora de dormir, simplificar os nomes das pessoas, contar histórias mirabolantes envolvendo o Lobo Mau e o Luís Fabiano. Era convicta: Gosto de pimenta. Mas só um pouquinho, muito não. Sabia cantar afinado, e fui o primeiro a descobrir esse dom. Essa minha mania de reparar em tudo nela... Quando repreendida, ficava cruel: torcia as sobrancelhas, apontava-me o dedo na cara e ameaçava: Não faz isso comigo mais não. Se eu morasse longe dela, ela me estranhava, não sei se por rancor ou falta de memória, que eu quase chegava a me arrepender. E não sei por qual motivo, ela gostava demais da minha namorada, seja quem quer que fosse. Naquele sonho, ela brincava de passar o nariz no meu e eu já lamentava pela saudade que eu ia ter daquilo quando eu fosse embora. Acho que foi por isso que eu acordei chorando seco. Às vezes, ela me surpreendia falando as minhas gírias e quando gostava das brincadeiras que eu inventava. Eu ficava extasiado quando ela me adorava, e quando indiferente, eu compreendia. Ela gostava de se esconder de quem entrava em casa, só de sacanagem. Era independente, que chegava a irritar. Eu que vou dirigir. Eu que vou ligar para ela. Ah, já ia me esquecendo: Ela tinha o meu mesmíssimo sangue algo, porém, inadmissível, pois era quase loira, de cabelos artisticamente cacheados. Acho que foi por isso que eu descobri que não passava de um sonho. Hoje, nem tenho mais piscina. Mas também não faz diferença. Vez ou outra, eu me pego concluindo, em silêncio: Meu Deus! Ela é exatamente do jeito que eu sonhei!
enviada por Matheus 14/09/2009 00:06 Da série: Separados na Infância Um amigo meu já disputa a artilharia do Brasileirão...
Lucas Creek, brilha muito no Atlético! enviada por Matheus 19/06/2009 17:37 Você entende de Futebol? Não há como contestar: o Futebol é mesmo a maior das paixões nacionais. É quase unânime entre os brasileiros o hábito de praticar, admirar ou, pelo menos, espiar de longe o cotidiano do esporte mais popular do planeta. Mas isso não quer dizer que todo mundo no país entenda do assunto. Acho até que entender mesmo, de verdade, quem entende são somente os técnicos de futebol mais famosos e consagrados desde que, obviamente, sejam ex-jogadores. Nós, simples mortais, temos apenas uma noção, que varia de pífia a regular. Elaborei um teste a respeito dos atletas inscritos no Brasileirão deste ano. É simples: basta responder ao nome correto do jogador. São 24 questões, com três alternativas. Descubra agora o seu nível de conhecimento nesse aspecto do Futebol nacional! Obtendo um bom desempenho no teste, sinta-se preparado para participar com autoridade de um bate-papo em qualquer rodinha de marmanjos! Nível 1: Esta etapa é apenas introdutória e não é capaz de credenciá-lo (la), ainda, como um bom (oa) entendedor (a). ![]() Nível 2: As questões a seguir exigem um grau de conhecimento mais elevado. ![]() Nível 3: E aí, achando difícil? Mandando bem na última série de perguntas, você pode se considerar um expert no tema! ![]() Agora contabilize quantas alternativas "a" você marcou. Elas são as corretas! PS: Este teste, a priori, teria como público alvo as mulheres. No entanto, ele é altamente recomendado também para músicos e economistas. enviada por Matheus 02/06/2009 17:46 Página de um livro bom VIII Cap. 10 Eduardo Moscovis Cap. 11 É melhor ter e não usar... Aula do caricato professor Ernani, em meados de 2004, com o tema: O que é notícia?. Nesse tempo, a turma de calouros realmente acreditava que aquela explanação seria imperdível. Pois bem, o mestre sugere uma criativa comparação para nos demonstrar o conceito de notícia. Ele citou dois hipotéticos fatos distintos, e o desafio seria descobrir a qual deles deveria ser dada prioridade na apuração. Fato um: está faltando água no bairro Nova Viçosa. Fato dois: o ator Eduardo Moscovis (que àquela época interpretava o galã Reginaldo na novela das oito Senhora do Destino) está de sunga, na beira da lagoa da UFV, sorrindo e fazendo o sinal de Paz e Amor. A maioria da classe, se não me falha a memória, escolheu a primeira opção como a mais relevante. Ledo engano. O sábio docente nos explicou que a situação do Moscovis, embora patética, tinha muito mais interesse público. Ah, tá. O que isso tem demais...? É que naquele momento singular da trajetória da construção do conhecimento acadêmico, alguns amigos babacas prometeram que tirariam uma foto, em pose análoga à da que fora proposta para o ator global. Demorou, mas apreciem a cena abaixo, registrada momentos após o baile de formatura, em janeiro de 2008:
Olha só a cueca ridícula de Douglão (à esquerda)...! ... Se há um sujeito capaz de despertar nossa reflexão, e cuja experiência de vida pode nos inspirar profundamente, esse cara é o Maicou. Certa vez, ele compartilhava com os amigos um ensinamento herdado de seu sábio pai. O episódio narrado por Maicou tinha como contexto aquela clássica situação, que mescla constrangimento e satisfação: a hora em que o pai, ao sentir que sua cria transformou-se, enfim, em homem, fornece-lhe uma porção de camisinhas, acompanhadas (ou não) de alguns breves conselhos. No caso em questão, aconteceu assim: Vai sair, filho? Tenho algo a lhe dar disse Antônio, já tirando do bolso uma dezena de preservativos, de diferentes cores, tamanhos, marcas, texturas e sabores. O jovem é pego de surpresa. Mas, pai...? Filho, é melhor TER E NÃO USAR do que USAR E NÃO TER. interrompe o patriarca, evadindo-se do recinto. Maicou segue seu rumo, sentindo-se mais preparado, maduro e com uma carga de responsabilidade que ele até então não experimentara. Afinal, é melhor ter uma camisa de Vênus e não usá-la do que usar sua libido sexual sem ter como se proteger. Ou será que ele quis dizer: "é melhor ter um órgão genital e não chegar a sacá-lo do que ter uma mulher e não ter desejo de possuí-la. Ou ainda: "é melhor ter ímpeto sexual e nem sequer manifestá-lo do que ter um anticoncepcional e não chegar ao orgasmo"... ou seja lá o que o pai dele quis dizer...!
Pai do Jim (American Pie) enviada por Matheus 28/05/2009 08:59 O Saponáceo da Farmácia Atendendo a pedidos, segue a publicação, no Blog do Cano, do texto feito em homenagem a um indispensável e inusitado companheiro dos tempos de faculdade: O melhor farmacêutico do mundo, conhecido como: O Saponáceo da Farmácia. A representação humana consagrada para se retratar os anjos, não sei por qual razão, é aquele menininho loiro, de cachinhos, olhos azuis e auréola sobre a cabeça. Pois ao final da avenida PH Rolfs, no interior de um templo divino em forma de farmácia, vive uma figura angelical quase exatamente igual à supracitada ele mede dois metros de altura. Uma vez que Viçosa é uma cidade repleta de jovens recém-saídos das asas das mães e que não sabem se virar sozinhos, nada mais corriqueiro do que contrair uma gripe brava, uma mão mutilada ou uma tuberculosezinha. Em quaisquer desses casos, ele mostrou-se a melhor alternativa a quem se recorrer. Por isso, recebeu o apodo de Saponáceo da Farmácia. Para se ter uma ideia de seu método de trabalho, basta imaginar a seguinte situação: Um jovem idiota chega ao balcão do estabelecimento, por exemplo, por assim dizer, com uma micose no saco. Ele está constrangido por causa dessa patologia, mas sabe que o Saponáceo é o único que poderá lhe defender. Sabão, tem algo para micose? Posso ver a infecção? Melhor não. É no saco. Pois siga-me até minha sala. A tal sala, a bem da verdade, é uma caverna mágica, cheia de mistérios, pirilampos e fadas-madrinhas. Saponáceo, então, evoca alguma santidade, pede inspiração aos deuses da cura, faz uma oração, antes de ordenar às paredes do recinto: Abre-te! Uma forte luz ofusca as vistas, os tijolos se afastam e do meio deles sai um pequeno embrulho, envolto por plantas e rochas brilhantes, descansando sobre uma almofada árabe azul e dourada. O Saponáceo abre a embalagem e retira uma caixinha. De dentro dela, uma pomada milagrosa. Passe em seu saco. Não é preciso nem dizer que, em poucas horas, a pele tem seu aspecto, cor e textura regeneradas. Além de ficar imune, para sempre, de qualquer enfermidade. Foi mais ou menos assim que o Saponáceo se consagrou. Ele ainda casou-se com uma belíssima moça, com metade de sua altura. Uma linda criança foi gerada, pouco depois. Ainda hoje, ao se passar por aquele trecho da avenida, é possível ver a linda família de farmacêuticos, rodeada por duendes, borboletas, morcegos e pequenas lacraias, todos trabalhando para promover saúde plena e conforto aos cidadãos! Observação: Relatos recentes dão conta de que a família do Saponáceo aumentou. Um novo herdeirinho veio ao mundo recentemente, com a honrosa prerrogativa de dar sequencia à dinastia dos Saponáceos. enviada por Matheus 15/05/2009 11:32 Página de um livro bom VII Cap. 9 Castelos de areia Texto enviado por Ulisses Vasconcellos Era a primeira grande viagem de uma a turma de amigos da faculdade. Reunidos no litoral do Rio de Janeiro, eles brindavam a juventude com muita alegria e reiventavam os mais diferentes métodos de se divertir. Numa tarde de abril, sob Sol forte, cruzaram o oceano de barco de Mangaratiba rumo à Ilha Grande território pertencente a Angra dos Reis. A travessia, de duas horas, foi sensacional. A Ilha é um paraíso de águas límpidas, transparentes, calmas e mornas. Ferro, Maicou, Afonso, Camila, Luiza, Tainá e Thamiris foram banhar-se no oceano e Cano e Didi recordaram a tradicional brincadeira infantil de construção de castelinhos de areia. Com precisão geométrica nos detalhes arquitetônicos, lentamente ergueram uma réplica de uma pomposa e consagrada construção medieval europeia. Prepararam um engenhoso sistema de escoamento de água para que a obra não dependesse dos humores da maré. Tudo corria às mil maravilhas. A areia caía ao som de doces assovios. Os invasores Porém o clima pacífico findou-se repentinamente quando chegou à praia um grupo de estadunidenses. Eles eram vermelhos de Sol, tinham olhos azuis e cabelos lisos tendendo ao ruivo, usavam shorts coloridos e falavam alto, em gírias intraduzíveis. Aportaram ao lado dos dois aprendizes de engenheiros e, com os corações fincados pela amarga lança da inveja, puseram-se a imitá-los. Em descarada deslealdade, os estrangeiros utilizaram as mais modernas técnicas de construção em praias conhecidas em pesquisas da universidade de Harvard, e, em poucos minutos, levantaram uma pirâmide mais robusta que o gracioso castelinho dos dois mineiros. Cano e Didi entreolharam-se incrédulos, mas miraram, orgulhosos, o trabalho que realizavam com dedicação maternal. Mestres como Niemayer e Aleijadinho invejariam os detalhes. As torres, rampas de acesso, o salão principal, o corredor, cada uma das 32 suítes, o poço dos crocodilos e o calabouço tudo minuciosamente feito e refeito. A pirâmide ianque crescia ao alcance dos olhos dos humildes construtores brasileiros, enquanto os cidadãos do primeiro mundo riam-se dos vãos esforços dos nativos. Uma afronta à soberania nacional. As políticas opressoras da Águia do Norte contra a América Latina pareciam ressurgir no tempo. Pode ter sido impressão, mas, por um instante, Didi e Cano viram uma bandeira com listras alvirrubras e estrelas a tremular sobre a pirâmide e um dos branquelos avermelhados exibir, como um troféu, um mapa geopolítico que mostrava a Amazônia, o Pantanal e o litoral fluminense como Áreas de domínio internacional. Sentiram que o futuro do País dependia deles. Virando o jogo Mas, sozinhos, os dois heróis nada poderiam fazer contra as avançadas técnicas do Tio Sam. Temiam não conseguir coletar areia suficiente para remontar a base do castelo a tempo de resgatar a soberania verde-amarela e transpassar a construção ianque. O clima tornou-se tenso, as bolsas de valores começaram o despencar. O comércio internacional ficou abalado. Era hora de usar a arma secreta. Gritaram por Afonso. O negão chegou e, como se possuísse, implantadas nos braços, máquinas de recolher areia, começou o cavar. Cano e Didi modelavam andares do castelo, cada vez alto. Os arrogantes cor-de-leite os observavam boquiabertos. O Brasil mostrava, outra vez, ares de tornar-se potência. Agora as gargalhadas tinham sotaque nacional. Em questão de tempo a construção tupiniquim ultrapassou o arranha-céu imperialista. Os jovens brasileiros comemoraram a vitória com samba, cachaça e futevôlei. Aos derrotados, restou deixarem, cabisbaixos, a arena de batalha e, posteriormente, o país . Para descarregar a tensão, os vencedores tripudiaram sobre a pirâmide estadunidense. Eliminaram-na. Com elásticos pulos certeiros, sacramentaram a vitória. Sem querer quase provocam um incidente diplomático de enormes proporções.
Castelinho de Areia que construímos em Ilha Grande - Abril de 2006 enviada por Matheus 12/05/2009 11:22 República É Mentira Dela! Sob encomenda do jornalista e blogueiro Ulisses Vasconcellos, fiz uma pequena homenagem à república de estudantes onde morei de 2005 a 2007, para publicação em sua homepage. Atendendo a pedidos, publico-a também no Blog do Cano:
Bezinelli, Manoel, Noavo, Cano e Wiber (falta Noego) Foi um tempo curto, mas incrível. Tomemos como marco inicial o dia em que um moreno forte e crespo arrancou, do painel do R.U, o anúncio de vaga para morar com outros estudantes no pomposo Edifício Tocqueville. Com a maior cara de pau, ao retirar o pequeno cartaz do frequentado mural, Pedro Bezinelli eliminou a concorrência para fazer parte daquele lar. Numa tarde especial, de Nico Loco quando esta ainda era a balada soberana da cidade , ele chegou. À sua espera, estava o então líder Cano, que, por uma inesperada manobra do destino, já havia se relacionado com a namorada do novo integrante. Este, porém, no passado, tivera um affair com a cobiçada e protegida irmãzinha de outro membro: o pequeno, mirabolante e formidável Manoel. A primeira impressão foi fulminante. Formava-se, ali, uma família. Na área de serviço do confortável apartamento, residia o caçula, e, por sinal, o galã da casa, conhecido como Wiber. Embora nem tivesse atingido a maioridade, era o mais maduro do lar e o guardião das finanças. O que esses sujeitos tinham em comum? Eles viviam o ápice da juventude. Solteiros, curtiam intensamente a vida boêmia. Com o passar do tempo, as mocinhas da cidade passaram a não aprovar tal comportamento leviano e muito se queixavam dos garotões. Acusados injustamente, eles se inspiraram numa poética canção da dupla Teodoro e Sampaio para batizarem a república: É Mentira Dela! ... Passados alguns dias, o ponderado Noavo ingressava na informal moradia. Destoava dos outros companheiros, pois era comprometido, tinha quase 30 anos de idade e cursava o mestrado. Sua integração foi mínima, uma vez que ele passava todos os dias, noites e madrugadas praticando caloroso e barulhento sexo em seu quarto. No ano seguinte, desembarcou na república o prendado e talentoso Noego. Filho de um renomado cheff de cozinha, Noego tinha dons culinários fenomenais. Andava cercado de menininhas, mas não deixava ninguém pegá-las nem ele mesmo. As aventuras vividas foram inúmeras, mas são assunto para outra hora... ... O lar começou a desmoronar quando Manoelzinho transferiu-se para uma instituição de ensino de melhor reputação. Logo após, Cano concluiu a graduação e também sumiu no mundo. Desmotivados, Wiber, Noego e Noavo se foram. Bezinelli permaneceu no mesmo local, mas preferiu por um ponto final naquela fascinante lenda e chefiou a formação de uma nova equipe, com outra denominação. Pouco mais de um ano durou a breve saga da residência onde imperou a ternura e a alegria. Um verdadeiro conto de fadas chamado República É Mentira Dela! enviada por Matheus 03/05/2009 00:44 Página de um livro bom VI Cap. 8 O vagão abandonado O dia já havia raiado. Vários corpos estavam estirados ao longo dos corredores do chalé onde morava Afonso Coutinho. A noite fora de Churrascôncio o nome, para quem não se lembra, é uma contração oriunda de Churrasco na casa do Fernandôncio. Cerveja Krill quente, pão, carne e muita felicidade. Vivíamos o produtivo primeiro período da faculdade. Enfim, amanhecia um novo dia e tudo estava encerrado. Cano repousava no sofá quando foi despertado por seu comparsa Muqueca: Ei, acorde! Lá fora há um vagão totalmente abandonado! Vamos adentrá-lo! Sonolento e sem entender muito bem, Cano acatou a convocação. Muqueca, que a esta época era uma espécie de guru da turma, ditava as diretrizes. A missão seria invadir um vagão de trem. Sujo, misterioso e jogado às traças. Eles então partem. Depois de alguns metros caminhados, o primeiro obstáculo: uma placa com os dizeres: PROPRIEDADE PARTICULAR. NÃO ENTRE. PERIGO: CÃO BRAVO. MANTENHA DISTÂNCIA. ... Em seguida à leitura das instruções, os jovens partem para o segundo passo: pular o muro. O cenário encontrado é um lindo, florido e verdejante gramado. Bem no centro, um vagãozinho, todo pintadinho, com janelinhas adornadas e portinha de madeira. Um tapetinho bordado desejava as boas vindas aos visitantes. Lá estavam outros colegas: Bráulio e Lilli 1. Este último, no entanto, optou por regressar antes que a coisa ficasse feia. Bem, a partir daí, ocorre uma horripilante sequência de depredação, aparentemente, sem motivação alguma que a justificasse. Os jovens, insanos e furiosos, iniciam uma destruição sem precedentes contra as estruturas do charmoso vagãozinho. A cena, só a título de visualização, fazia lembrar aquela fase de Bonus do Street Fighter. Os garotinhos só retornam depois de todas as janelas ao chão e um satisfatório estrago. ... Dias depois, toda a história vem à tona. Só o que os vândalos juvenis não sabiam é que se tratava de um vagão cuidadosamente recolhido e restaurado por um magnata, colecionador, de Viçosa. A estação de trem da cidade há tempos fora desativada e só restara aquele patrimônio. Especulou-se a intervenção da polícia, um orçamento chegou a ser feito para os reparos. A primeira parcela, equivalente a R$ 120, foi paga. Mas o caso adormeceu. Falando nisso, fica a sugestão para que, qualquer dia desses, numa ocasião oportuna, quem sabe, seja feita a negociação do restante da dívida, com as devidas correções.
enviada por Matheus 27/04/2009 15:05 Página de um livro bom V Cap. 7 Pega no meu pães Texto enviado por Ulisses Vasconcellos Mais um acontecimento de grande porte acabara-se no Espaço Multishow. Um espetáculo musical com artistas de renome nacional foi, outra vez, pretexto para universitários se reunirem, se embriagarem e quebrarem recordes de beijo na boca e amasso em público. Finda a música e depois de algumas horas de empurra-empurra, todos conseguem adentrar algum ônibus e retornar ao Centro. No transporte coletivo há quem consiga aumentar ainda mais os números da noite, quem durma, desmaie ou passe mal, ameaçando devolver ao mundo a mistura de líquidos ingerida durante a tarde, noite e madrugada. No entanto, um sentimento ataca todos indistintamente: a fome. O caminho natural dos jovens é a praça defronte a Prefeitura, onde um trailer de lanches rápidos oferece a todos a possibilidade de dormir de barriga cheia e minimizar os terríveis efeitos da ressaca na manhã seguinte. O espaço estava cheio após um show qualquer. Um dos adolescentes famintos era o jovem Lilli, ávido por alimento. A esta altura provavelmente já conhecera diversas mocinhas, dormira, desmaiara e passara mal. Era hora de comer. Lilli acotovela-se com a multidão que se junta em frente ao trailer para pedir/receber sanduíches, até que chega ao atendente. Mentaliza um cachorro-quente saboroso, levemente picante, odor caseiro, com salsicha tenra e molho suculento envoltos em pão fofo. O preço, bastante razoável. Um cachorro-quente!, ordena, já com água na boca, enquanto conta as moedas retiradas do bolso. Desculpe, não aceitamos mais pedidos por hoje. Acabaram-se os pães, redarguiu o comerciante. Em frações de segundo, Lilli fez um giro de 360° com a cabeça e constatou: o trailer era o único estabelecimento de fast-food em funcionamento àquela hora. Imaginou-se chegando em casa, sem forças e vistoriando a dispensa, vazia. Colocaria um pacote de Miojo para cozinhar. Viu-se ingerindo a primeira a colherada de um macarrão sem cor... Não estava nos seus planos. Mais que depressa veio a tréplica ao atendente: Acabaram-se os pães?! Pega no meu pães! Virou as costas e foi-se. Ainda faminto, mas com a certeza de ter vencido o duelo verbal. ![]() enviada por Matheus 23/04/2009 16:16 Página de um livro bom IV Cap. 6 A batalha de estreia Começava o ano letivo de 2004. Para aqueles que acompanham o dia-a-dia do esporte mais popular do planeta, isso significa o início da temporada de negociações. A cúpula do Imprensionados Futebol Clube agendou, então, uma partida amistosa contra a nova geração de calouros, no intuito de garimpar talentos e fomentar o elenco para as competições universitárias. Os dias que antecederam a batalha foram marcados por especulações sobre quem seriam os convocados do time que se inaugurava. No início da tarde de uma quarta-feira, lá estavam os atletas, prontos para o duelo. O esquema 1-2-1 foi escolhido. Maicou era o dono da camisa 1 dos calouros. O grandalhão Afonso seria o guardião da defesa. Na ala direita, o veloz Didi foi relacionado. O versátil Lilli comandaria o setor esquerdo. Finalmente, como pivô, jogando de costas para a meta adversária, Cano. Do lado de lá, os galácticos Frank, João Baby, Ronaldinho, Rivaldo e Roberto Brasileiro compunham o carrossel do time titular. Além deles: Bruno Winckler, Thiago Futebol Clube, Renato, Cabeça e Marcos Bonn. Nos primeiros instantes, o entrosamento do esquadrão de veteranos falou mais alto e uma chuva de gols era anunciada por jogadas redondas. Contudo, debaixo dos três paus havia um baluarte chamado Maicou, que segurou o placar até que seus companheiros se restabelecessem da tensão da estreia. Em jogada de contra-ataque, foi o púbere gladiador Lilli quem abriu o marcador para os calouros, após o lançamento longo do guarda-redes de seu time. Afonso fez o segundo. Parecia que o improvável iria suceder. ... O jogo se transforma em um duelo bestial após a reação do Imprensionados. O arqueiro Maicou bloqueia de maneira fantástica a rajada de investidas dos rivais. Os calouros, já esgotados fisicamente, contam com a chegada providencial de Douglão. Embora calçasse chinelos, ele seria uma peça importante para o jovial esquete. Outro reforço foi o incansável Thiago F.C., transferido de equipe. A manobra foi contestada, mas aceita, uma vez que o regulamento do certame não dispunha a respeito. O primeiro tempo só termina empatado em 4 a 4 graças a um tiro sem direção do beque Afonso. A bola vai descansar bem no meio da lagoa da UFV. O intervalo forçado, de aproximadamente 50 minutos, serviu para que os atletas recompusessem as energias. ... Os experientes Imprensionados retornam implacáveis para a segunda etapa, e logo abrem três tentos de vantagem. O terceiro graças a um passe infeliz de Douglão, que, próximo à balisa de seu time, granjeia o centro-avante adversário com uma bola açucarada. Cano diminui, em dois lances idênticos, girando e completando as assistências de Didi e Afonso, respectivamente. Enquanto os calouros se esgotam em quadra, os veteranos se revezam e mantêm o bom nível do futebol. O fator preparo físico faz a diferença. O jovem guarda-redes Maicou praticamente enfrenta sozinho a endiabrada equipe sênior da Comunicação. Defende pênaltis, chutes à queima-roupa. Ainda assim, não é capaz de evitar outros dois gols antes do término do tempo regulamentar. Lilli converte mais um arremate. E só. Placar final: 9 a 7. ... A partida foi o assunto da semana, quiçá do ano inteiro. Afonso, Lilli e Maicou acabaram assinando contrato com o time principal do curso. O último, inclusive, foi intocável em sua posição até a aposentadoria. Para que a magia do primeiro confronto ficasse eternizada, os próprios atletas decidiram por jamais realizarem a revanche. O lendário e inesquecível duelo tornou-se um borrão da realidade, uma história para se contar para os filhos e netos.
enviada por Matheus 16/04/2009 16:05 Página de um livro bom III Cap.5 Vocês fazem é Vandalismo! Uma das primeiras sextas-feiras da turma de calouros. Convocação extraordinária por parte do Tatá: Festa das Secretárias, diz que tem mulher demais, é só levar uma garrafa de bebida. O time estava escalado: Tatá, Cano, Lilli, Didi. O evento nem era lá grandes coisas, mas para essa equipe, que já dava os primeiros passos rumo ao sucesso vindouro, não tinha erro. Curtição, integração e bebidas quentes. Todos voltam embriagados, munidos de garrafas de pinga e vinho, furtadas da balada. Destino: Casa de Sandy & Gilka afinal, a noite era uma criança. A poucos metros da chegada, um portão de loja fechado, desses de metal, que desenrolam até o chão. Só falta um imbecil, talvez o Cano, resolver chutá-lo com toda a força e causar um estrondo. Dito e feito. Por ironia do destino, um segundo após o incidente, lá vinha uma viatura da polícia virando a esquina. Tomara que eles nem tenham visto ponderaria alguma mente ajuizada. Nem foi preciso, pois antes que os homens-da-lei desembarcassem, lá estavam os ingênuos jovens, de costas, com as mãos na parede, prontos para a abordagem. Aos agentes, só restou pararem o carro. Cassetete na panturrilha, revista, grosseria típica dos tiras. Boa hora para o Tatá intervir: Eu conheço os meus direitos! Cala a boca! Tem droga aí? O questionamento, dessa vez, foi uma excelente oportunidade para a interpelação do prudente e sensato Didi: Calma, olha essas garrafas aí, a gente bebe pra caralho. A gente faz Jornalismo! E o PM: Cala a boca! Vocês fazem é Vandalismo! Aí não teve jeito. Cano, que mantinha a compostura, disparou gargalhadas. O Tatá continuava furioso. Lilli, possivelmente, não entendia nada. Terminado o baculejo da polícia, os jovens comemoram. Ora, eles eram calouros, mas eram muito doidos. Agora, vamos para a casa das meninas relatar o ocorrido! E o Tatá, esbravejando: Eu vou embora. Só conversem comigo NA SEGUNDA FEIRA! E partiu. E tem mais babaquice na história. A última deixa do Tatá foi facilmente interpretada, por Didi e Cano, como: Só conversem comigo ÀS SEGUNDAS-FEIRAS. Pois é. Por mais incrível que possa parecer, os amigos, durante um mês, só falaram, abraçaram e sorriram para o Tatá às segundas-feiras. De terça a domingo, eles se seguravam o quanto podiam. Combinado é combinado.
enviada por Matheus 15/04/2009 11:00 Página de um livro bom II cap. 4 - Você está expulso! Sítio do Pelé. Uma das mais intrigantes e inesquecíveis baladas de todos os tempos. E o Maicou, que ainda não tinha pegado mulher em Viçosa, finalmente desencanta e embola, ali mesmo na sala, com uma caloura. A garota, por sinal, affair do Lilli. Todos gostaram do feito. Golaço de Maicou! Que beleza! Que delícia! Que alegria! Vamos festejar! É aniversário do Didi! Tem cerveja, pão e linguiça crua à vontade! A festa desenrola-se na mais perfeita harmonia. Contudo, horas depois, eis que a equipe de investigadores de COM 2004 localiza, nos confins da casa, o Lilli novamente com a tal caloura, derretendo-se em beijos e carícias. Foi um escândalo! Um absurdo! Em que mundo vivemos? Onde está a tão falada ética? E o Cano, que a esta altura já chamava urubu de meu loiro, foi tirar satisfação com o amigo fura-olho. O musculoso e alucinado Cano, violenta e covardemente, carregava o franzino Lilli pelo colarinho, pressionava-o contra a parede, deitava sobre ele e baforava-lhe a face: Vagabundo! Pilantra! Você vai ser expulso do Sindicato dos Vagabundos! Sim, acabara de ser criado um Sindicato, do qual o Lilli, por sua má conduta, era automaticamente banido. E o Cano chegava a ser contido por populares, para alívio do pequenino traidor. Mas após alguns instantes de trégua, lá vinha ele novamente, cheio de fúria. O ritual se repetiu diversas vezes ao longo da noite. A partir do dia seguinte, o Lilli ficou duas semanas com medo do seu amigo Cano. E, devido ao escarcéu ocorrido, a recém-criada repartição foi, dias depois, extinta. ![]() enviada por Matheus 09/04/2009 14:49 Página de um livro bom Hoje é um dia mais que especial. Ao cair da noite, o fluxo da felicidade vai se direcionar para o litoral fluminense, onde alguns dos melhores caras do mundo vão se reunir. Há uma chama acesa no coração de todos os que vão comparecer ao primeiro encontrão de COM 2004 uma turminha fantástica que se formou em jornalismo há pouco mais de 1 ano, em Viçosa. Inspirada por essa expectativa, acaba de ser inaugurada a série: Página de um livro bom. Sim, esse é um verso de uma canção do 14 Bis chamada Linda juventude nada mais coerente. Serão postados, esporadicamente, relatos curtos de alguns momentos vividos ao longo dos melhores quatro anos que o planeta Terra já assistiu: nosso tempo bom de faculdade... Cap.1 Obina e Etoo Cap.2 É Tamba? Cap.3 Vamos participar? ... Lá estava Ferro, curtindo uma noite hippie no Bar do Leão, levemente embriagado, a cara já ficando vermelha. Entra um sujeito mal-encarado, bêbado, brigão. Tenta arrumar confusão com quem quer que lhe apareça pela frente. Ele era sujo e trajava uma camisa do Flamengo. A multidão tenta acalmá-lo, mas ele está furioso. Ele desafia os rapazes do recinto. Ele quer lutar. E Ferro só assistindo. Ferro entende tudo de Música, mas quase nada de Futebol. Tinha aprendido com os amigos que o Obina era o xodó do Flamengo: melhor até que um tal de Etoo. Dirige-se para o delinquente: Ei mano, pega leve. Obina é melhor que o Etoo. O homem estava mesmo furioso, com sede de vingança. Todos tentam, em vão, contê-lo. Ele chuta as cadeiras do bar. Mas Ferro insiste: Sim, mano... Obina! Melhor que o Etoo!!! Para o espanto de todos, a alma do brigão é tocada. Ele olha com certa ternura para Ferro, que aproveita: Deixa disso, mano. É nóis! É Obina! Embora Ferro nem de fato soubesse quem era Obina, muito menos quem era Etoo, o tal mal-elemento esboça um sorriso cúmplice, acalma-se e vai embora em paz, sussurrando: Obina!. Afinal, violência não leva a nada... ... Festa no Multiuso, e o Didi caindo pelas tabelas de bêbado. Insano, infantil. Sem que sua memória trabalhasse registrando os fatos, ele passeia pela balada com sua amiga Luíza. Por nenhuma razão, vai parar atrás do palco. É lá que ele encontra um de seus melhores amigos, escondidinho, no maior amasso com uma estranha. Esse amigo tinha uma namorada chamada Tânia (e é bom lembrar que havia mais de um sujeito na turma cuja namorada tinha esse nome). É, mas a garota do amasso tinha a cor da pele e dos cabelos, a altura... tudo diferente da tal namorada por sua vez, muito conhecida do Didi. Será possível? O Didi se aproxima do casal, tropeçando no vento. Ainda surpreso, olha para os pombinhos adúlteros, face a face. Todos se entreolham, numa situação inusitada e, até certo ponto, constrangedora. Didi se concentra bem. O que dizer num momento como esse? Ainda lhe resta uma última dúvida, que ele tenta esclarecer: É Tamba??? Até hoje ele não se lembra, mas seu questionamento tornou-se imortal. Não, Didi, não era ela... ... Começo de uma noite de meio de semana. Lá vão os calouros Maicou e Cano, passeando pela PH Rolfs. Eles acabaram de encher a pança de sopa, pão e banana no RU. Rolava aquele papo sensacional, como de costume. Os amigos passam em frente ao Rei da Empada e espantam-se com o cartaz: Promoção: Uma empada e um copo de Coca a 1 real. Claro, eles já não tinham fome, voltavam do R.U. Mas Maicou fica pensativo. Parece calcular os custos do alimento, ou seu valor calórico... Cano, essa promoção é imperdível. Veja bem: uma empada e um refri, só 1 real! e ele refaz as contas. Estava acostumado ao alto custo de vida em Ipatinga. Passa um carro, passa um cachorro. Maicou reflete mais um pouco, põe a mão no bolso e desabafa: Cano, vamos participar! Certo, Maicou. Desde este dia, falou em promoção, pelada, balada, concurso público ou mulher, a gente acaba participando.
-personagens- enviada por Matheus 27/02/2009 17:53 Da série: Bancando o economista... Mais um texto da minha nova fase profissional. Agora, o Editorial feito para o informativo de uma financeira. E aí, Ré? Crescer, mas com sustentablilidade Numa sociedade em evolução, crescer com sustentabilidade significa sobreviver e preservar. A consciência ambiental e a existência humana estão fortemente relacionadas e esse é um aspecto primordial nas diretrizes do Sicoob Credimepi. A sobrevivência ou a extinção dos organismos caminha junto com sua habilidade em se adaptar ao ambiente. Assim declarou Charles Darwin há 200 anos. Da mesma forma, a sobrevida de uma organização depende da astúcia com a qual cria condições competitivas em um mercado global, evoluindo constantemente e redesenhando-se, zelando sempre pela proteção da natureza e do bem comum. Por todas essas razões, o cooperativismo vem se destacando como uma boa alternativa no atual panorama econômico mundial, trabalhando em conjunto e pelo progresso de todos. Devido à velocidade da economia moderna, a busca da prosperidade requer sabedoria para modificar as próprias estruturas, visando uma posição privilegiada. Para empresas que pretendem estabilizar-se, é preciso uma visão estratégica da inovação, considerando as dimensões dos processos, das pessoas, da abordagem ao mercado, da construção de parcerias e do bem-estar da comunidade. O crescimento sustentável deve ser regido pelos princípios do progresso baseado em ativos não tangíveis como idéias, capital intelectual e valor de marca. Boas idéias não necessariamente requerem grande quantidade de capital. Um bom modelo de negócio é tão importante quanto o produto ou serviço em si e o conhecimento deve ser sempre partilhado. Assim enxergamos o empreendedorismo. O crescimento desenfreado e a qualquer pena é algo inconcebível nos dias de hoje e fazer com que a riqueza se expanda deve ser um dever de todos. Para isso, todos os recursos que possam gerar a prosperidade devem ser preservados, protegendo o planeta de uma crise de escassez e caminhando, assim, para um progresso sadio e harmonioso. enviada por Matheus 06/02/2009 10:07 Sobre economia Quase sempre escrevo alguma coisa sobre mim. Daqui a pouco vão dizer por aí que sou egocêntrico. Então, dessa vez postei um Editorial que fiz para o house-organ de uma empresa. É sobre economia: um assunto do qual eu não entendo nada, mas tenho que fazer parecer que entendo. Ei-lo: Redução de custos: uma questão de responsabilidade
Em tempos de crise financeira, é preciso adotar novas formas de trabalho que possam responder à diminuição da demanda de produção das empresas. Dessa forma, promover a redução dos custos até o ponto em que ela seja viável, é uma atitude sensata a ser tomada. Quando buscada antes que a crise atinja a empresa, a redução de custos é um processo bastante ameno, que visa manter ou conseguir uma vantagem competitiva. Porém, quando implantados em caráter emergencial, os cortes podem envolver áreas vitais para a geração de receita. Encontrar a fórmula exata para essa redução é um desafio que deve ser estabelecido a partir de um planejamento bem elaborado, adotado antes de se fazer um investimento no negócio. Conhecer os processos, a estrutura organizacional, a tecnologia da informação em uso, os controles, os sistemas de informação e os tributos ao longo da cadeia produtiva são fundamentais na construção dessa tarefa, bem como monitorar as ações com indicadores para se ter a exata medida dos rumos a serem seguidos. No Brasil, os anos de inflação alta e a economia fechada foram fatores que desestimularam a atenção dispensada aos custos, mas essa mentalidade mudou. A gestão e controle de custos são uma preocupação constante, e existem várias ações voltadas para obtenção de competitividade. É preciso estar atento ao custo global, pois um investimento, a princípio, com um preço menor, mais tarde pode gerar despesas. A compreensão da relação entre custo, preço e receita também deve estar sob pleno domínio do empreendedor: o custo influi na decisão sobre o preço, e este afeta o volume vendido. O ponto ótimo de redução de custo é aquele onde a receita líquida para de crescer. Enfim, é fundamental saber identificar a melhor forma de conduzir as tarefas e os processos, saber corretamente quanto custa cada investimento e por que custa. Todos dentro da empresa devem aplicar seus conhecimentos, seu tempo e sua motivação nessa atividade. As atitudes neste sentido se relacionam e tornam o processo de redução de custos desafiante e compensador. *Peço a bênção (e o perdão) de meu amigo Ré, consagrado economista brasileiro. enviada por Matheus 15/01/2009 21:13 O Ciclo de Bor
Ao que parece, o circuito finalmente se completa. Era meados dos anos 80 quando ele apareceu por aqui, oriundo de um planeta qualquer. Aparentava ter 14 anos de idade, mas possuía muitos pêlos ao longo da face. Cursava o jardim de infância na escola Mickey, onde foi reprovado seguidas vezes. Seus companheiros daquela época cresceram, casaram-se ou foram presos. Enquanto procurava se adaptar à nova sociedade e ao novo idioma, Bor praticava vandalismos contra telefones públicos ou gatos de rua. Contemplado pela natureza com um belo visual, acabou configurando-se como o cara mais bonito de João Monlevade durante a década de 90. Era alto, esbelto e tinha como diferencial uma impecável e geométrica barba. Ele dispensava mulheres lindas e batalhava pela carreira de goleiro no América. Foi nesse contexto que Bor coligou-se com a equipe de amigos adolescentes que o acompanhariam até o fim de seu ciclo no Brasil. Ele sofria um pouco no início, devido à dificuldade em se comunicar. Esporadicamente, chegava a agredir ou cuspir nos colegas quando não conseguia pronunciar o vocábulo desejado. Pouco a pouco, Bor foi se adequando à atmosfera terrestre. Desenvolveu um inconfundível carisma e uma capacidade singular de conquistar afetos. Resolveu então parar no tempo. Aos 15 anos, congelou sua aparência e interrompeu a expansão vertical de seu físico. Transformou-se no pequenino Bor, o menorzinho da galera. Seu primeiro emprego foi o de motorista da turma. Tornou-se popular, amado por todos. Surpreendentemente, concluiu o 2º grau e, por incrível que pareça, chegou à faculdade. A partir daí, curtiu intensamente os dias na companhia dos amigos. Foi feliz e divertiu a vida de todos. Mas estava escrito nas estrelas que ele deveria desbravar outras fronteiras da galáxia. Ele parte para uma breve temporada no velho continente, e deixa uma saudade irreparável. Ao que tudo indica, seu ciclo está prestes a se reiniciar, num outro planeta com vida inteligente. Ainda assim, nossos corações sustentam a esperança de que ele voltará, novamente esbelto, e cheio de histórias pra contar. Vai com Deus, Gigante. Você é o cara! ![]() enviada por Matheus 07/11/2008 09:05 Flashback dream mode: utopy zone Parte I _Hoje é sexta, vamos ao Denílson antes da festa dos Dimas? _Eu e Muqueca estamos tomando uma cachaça tropical no Denis. Venha para cá. _Já combinei com Ré. Estou comprando uma audácia de bolso aqui no All Tiger. Depois vou ao Denílson. Este seria um diálogo corriqueiro, há 12 ou 10 meses atrás, tempo em que éramos felizes e sabíamos. Contudo, o papo ocorreu numa noite recente, entre três amigos (ou um pouco mais) em pontos distintos do globo terrestre. Cano degustava uma Brahma e um Feijão Amigo, no bar Coração de Estudante (MG), na noite do fim de uma semana de expediente intenso. Ao final do texto do convite expedido por seu comparsa Didi, uma definição: Flashback dream mode. Destarte alcoolizado na ocasião, foi viabilizada a tradução: Modo dos sonhos das recordações. Já Didi, que curtia o início da madrugada no litoral capixaba (ES), leu, ao fim da mensagem de Cano transmitida via SMS e codificada por meio de uma estrela celestial o conceito: Flashback utopy zone. Em bom português: Zona utópica das recordações. Num mudo confuso, permeado pelo espírito tecnocrático paulista (SP), vive Ferro. Ele também foi alcançado pela corrente de epístolas que remetiam a um passado recente. Mais do que depressa, manifestou-se, encerrando o papo. Nada demais. Até meio imbecil. Uma tentativa de reviver, no plano dos sonhos e da utopia, momentos simples e fantásticos cuja existência o tempo teve a frieza de cronometrar. Quatro anos, conforme o roteiro do destino, em que dois reais e um violão eram o preço da felicidade. A manhã vegetativa e cheirando a álcool, os juros cobrados. Parte II Por falar nisso, hoje seria o meu dia. Chuva forte, sozinho em casa, e tudo de que eu careço é um guarda-chuva. Há uma balada, no mesmo boteco, corriqueira de todas as quintas. Não tenho nada de mais o que fazer lá, mas espero a chuva passar. Hoje é o meu dia. Chega um companheiro. Mas ainda nada de guarda-chuva. E essa sombrinha? Cuidado, é da minha muié. Cuidarei como se fosse meu filho. Animado, vai sozinho? Pensei: Vou, essa noite é o meu dia. Não conseguiria estudar à noite. Um rosto conhecido na balada. Você tá em todas hein? Ela sorriu com a nuca e nem respondeu. Dane-se, vou sentar-me e ver o acústico. Posso pegar essa cadeira?... Logo de cara: Miss Robinson. E logo ali tem um cara com metade da bunda de fora, e uma senhora, sem um canino, a zombar, tentando chamar minha atenção. Começo a cantarolar e tomar minha cerveja. Chega um sujeito, senta-se na cadeira adjacente e me entrega minha própria garrafa. Sua mesa era usada de superfície. Confesso que fiquei magoado. Ali tem um meu amigo de balada. Chamo-o de Aloprado, e suspeito que tenha problemas mentais. Uma e outra conversa desconexa e o Aloprado já começa a tentar beijar alguma mulher. Parece-me que prefere as feias. Alguém me chama mas era porque eu obstruía a passagem. Parte III E logo ali tem a mulher mais feia que já vi na vida. A todo momento, parece que apanhou, levou muita porrada: é como a posso descrever. E o tal da bunda pra fora, um baixinho esquisito de cabelo meio comprido e liso, começa a se enveredar. E a tal feia se dá ao luxo de dispensar. O baixinho, ao vê-la instantes depois abraçada a outro sujeito, sorri, com aquele olhar embriagado: espertinha... Certo rapaz, que não é bonito, mas é estiloso, dança, bebe e se exibe. Troca idéia com a senhora sem um canino e investe com sucesso numa moça que, a esta altura, é a segunda mais feia da minha vida. Ele joga aquele charme assim: Ai, eu sou demais... Ela olha com aquela cara: Ai, cachorro... Um músico toca gaita brilhantemente. Ao fim da apresentação, abordo-o: Onde você ensina isso? Texas, Estados Unidos da América. Mal se lembra que fiz uma matéria com ele no mês passado. Prefiro achar que ele tirou onda: mau caráter! Acho que me enganei, amanhã é o meu dia. Vou embora mas volto correndo, já ia esquecendo a sombrinha. Quatro reais saíram caro por hoje. Por essas, aquelas e outras é que mesmo numa super-balada eu respeito as tradições, por mais que elas insistam em adormecer. Ao detectar a introdução inconfundível daquela canção, já mudo meus planos e minha direção. "Por essa nêga eu ponho roupa nova, uso óculos escuros..." Se alguém não entende nada, eu também não espero que entenda. Da beirada do palco, que convencionei como parede, não saio enquanto a música não acabar.
Literalmente: "Dimas: Óculos escuros, na parede, na parede..." enviada por Matheus 15/10/2008 12:49 A vida é mesmo um controle de embreagem ![]() Seu rim tá bacana era, afinal, o que eu queria ouvir. Por acaso eu fiquei sem beber água? Foi isso? indaguei, já me recordando de que havia bebido bastante cerveja. Não necessariamente.... Aí comecei a imaginar se eu já não estaria condenado, desde o meu nascimento, a ter pedras nos rins, já que não fiz nada para merecer essa doença. Esse negócio de se cuidar é mesmo estranho, é como pisar na embreagem. Uma garrafinha dágua sempre a tiracolo parece paranóia. Se tomar líquido demais antes de fazer o ultra-som das vias urinárias, não dá pra ver a injeção de xixi na bexiga. Se soltar demais a embreagem, o motor do carro morre... Aliás, a vida é mesmo como um controle de embreagem. Pouco antes do carnaval eu estava solteiro, mas tive que engatar a primeira para subir pesadas ladeiras em Diamantina, dessa vez com a minha própria mulher. Em Viçosa ápice da juventude , estudante, e o motor andava solto, em meio a tantos amigos. Depois perdeu a engrenagem com a solidão. Naquele tempo, seria conveniente ter estudado mais, mas preferi andar no ponto morto, só no embalo. A meu amigo Pavão, certa vez, restava a dúvida: Mas o rim não fica do outro lado? Jornalismo para fugir dos Cálculos e agora estou com cálculo renal! Nos últimos dias da faculdade, a turma rodava de quinta, e, de repente, depois do baile, paramos tudo de vez, sem reduzir a marcha. Desse jeito o motor não agüenta... Mês passado foi o exame de rua, valendo a carteira. Era a hora de aplicar na direção as lições aprendidas na vida. Se pisar demais, o motor perde a força e tudo vai por água abaixo, ou melhor, por morro abaixo. Pisar muito leve, por sua vez, faz com que o veículo suba além do necessário. Baliza descendo morro na frente de uma garagem e atrás de uma rampa. Será que vai dar? _Tem um negócio aí de 2,7 milímetros. Nem dá pra saber se é pedra... _Aprovado: mas tem que ir tirando o pé da embreagem, é um automatismo correto. _Yes! Tô ligado, careca! enviada por Matheus 15/10/2008 10:55 Blog do Cano retorna. Depois de um período de inatividade, o Blog do Cano volta para contar sobre um prêmio que caiu do céu. Isso mesmo, fiz uma redaçãozinha e ganhei um notebook, na promoção do jornal O Tempo, da capital mineira. A seguir, a famigerada redação:
Pós-graduação em crime Recuperar o cidadão infrator, educá-lo e reintegrá-lo à sociedade este é o ideal proposto pelo sistema carcerário brasileiro, uma vez que no país não é permitida a prisão perpétua ou a pena de morte. Mas a realidade é, de longe, antagônica. Devido a uma série de deficiências do nosso aparelho prisional, a maioria dos transgressores deixa as penitenciárias ainda mais perigosos, propensos a cometerem outros delitos e, devido ao convívio com delinqüentes e aos maus tratos sofridos na cela, que causam revolta, eles acabam se tornando especialistas no mundo do crime. Por razões que derivam, principalmente, da superlotação das cadeias, as chances de redenção são minadas com o passar do tempo. De maneira geral, os presos são alojados em número bem superior à capacidade das penitenciárias, cujas estruturas são, em sua maioria, insalubres. A falta de higiene aliada à má alimentação condena-os a uma pena que vai além da perda da liberdade: o contágio por várias doenças. A CPI do Sistema Carcerário, criada em 2007 para investigar as condições dos presídios no país, detectou um dos mais cruéis exemplos dessa situação numa cadeia do Mato Grosso do Sul. No local, 680 detentos estavam alojados onde só caberiam 80. Alguns deles, segundo o relator da CPI, o deputado federal Domingos Dutra (PT MA), dormiam junto a porcos. Outro fator lamentável é o estabelecimento de uma hierarquia paralela nos presídios. Não raramente, os condenados mais antigos, ou aqueles que ainda terão um longo período de pena pela frente, praticam abuso sexual, espancamento e até homicídios dentro das cadeias, sendo que suas vítimas são os detentos primários. Isso acontece porque não são separados os bandidos perigosos dos demais presos. Os autores, na maioria dos casos, não sofrem qualquer tipo de punição. Não se trata de solidariedade entre os prisioneiros, mas é que há um temor em se apontar os detentores desse poder. Os mais jovens procuram garantir a própria integridade física e psicológica disserta a professora do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Marina Rezende. Um outro ciclo de violência tem origem nos próprios servidores das penitenciárias, cuja concepção é de que a brutalidade é o instrumento correto para se reeducar os condenados. O tratamento desumano, com sessões diárias de espancamento, gera um ambiente oportuno para a eclosão das rebeliões. Fomentada pela corrupção destes mesmos funcionários, que, remunerados pelas quadrilhas, permitem a entrada de armas e equipamentos de comunicação nas cadeias, as rebeliões causam, além do caos na sociedade, perdas materiais e humanas. O celular entra nas prisões pelas mãos dos familiares dos presos ou de advogados corruptos, assalariados do crime organizado. E isso só é possível mediante omissão da fiscalização, ressaltou o comandante da Academia de Polícia Militar de São Paulo, Cel. Paes de Lira. Algumas medidas poderiam ser tomadas e outras reforçadas para que se atenuasse a situação dos presídios. Entre elas, a instalação, em todas as cadeias, de mecanismos de fiscalização eletrônica, supervisionada, de pessoas e pacotes, em caráter permanente, para eliminar o ingresso de armas, drogas e celulares, bem como a monitoração visual e sonora de visitas íntimas ou mesmo uma melhor qualificação profissional dos agentes. Deveria ser promovida, também, uma separação entre os criminosos contumazes dos presos primários, além de uma maior atenção quanto aos que continuam aprisionados apesar da pena já cumprida, devido à negligência dos órgãos responsáveis pela execução penal. A solução poderia estar, no entanto, na transferência da administração e manutenção dos presídios para a iniciativa privada, a exemplo do que já ocorre em outros países. Isso seria pertinente na medida em que empresas explorariam a mão-de-obra dos detentos. Estes seriam treinados e poderiam gerar benefícios para a sociedade. Livres do ócio, tratados com dignidade e tendo o seu trabalho valorizado, teriam a real chance de se redimirem. Caso contrário, o tempo de confinação nada mais continuará significando do que uma pós-graduação no mundo do crime.
enviada por Matheus 10/04/2008 02:16 AEROPLANE
Se há de se parar, que seja no auge aconselharia algum antigo ditado popular. Assim não fez Carlos Alberto Parreira, treinador consagrado pela conquista do Tetra em 1994. Ele assumiu novamente a Seleção Brasileira para ver sua moral ruir com o fiasco de 2006. Poderia nem ter ido à Alemanha, e seria cristalizado como o herói responsável por devolver ao Brasil a hegemonia no esporte mundial. Havia amoletos como Ronaldo e Adriano, mas, para Parreira, não era mais possível contar com Romário e Bebeto. Por isso, fui acometido pelo temor ao regressar ao Japonês, na mais recente quinta-feira. Didi e Ferro já eram craques de triunfos passados. Montei meu time com Muqueca e Maicou na dupla de frente. Nossa tarefa de conquistar o Japão seria infinitamente mais árdua com o plantel desfalcado. A luz para a montagem do esquema tático, alternativo, veio irradiada pela oportuna mensagem de um antigo conselheiro, momentos antes do início do certame. Serviria de inspiração o elenco galático do Paysandu de 1996, com Ivan, Garrinch, Gilton, Gilmar F e Marcos. Rogério, Mastril, Oberdan e Daniel. Nuno e Gilson. A exemplo destes guerreiros, encantaríamos o planeta jogando simples, mas com amor à camisa. Quando a bola rolou, pouca coisa havia mudado, mas tudo estava muito diferente. A arena mais iluminada, mas o público era menor. A cachaça sofrera um reajuste de 100% no preço, e já não descia tão redonda. E eu sem o apetite pela vitória como em outrora. O Japonês, sereno como um guru, ao me ver exclama: Rapaz, cê ta sumido! Cadê os outros Japoneses?. Para não decepcioná-lo, limitei-me a dar a triste, mas esclarecedora resposta: Nem me dimas.... A noite desenrola-se como de costume: a multidão sedenta para se expor ao longo do logradouro, jovens alcoolizados despertando nostalgia, uma ou outra fêmea propensa ao sexo. Hippies e Música Popular Brasileira, cachorro-quente barato mas de procedência ilibada. Embora não tenha sido uma exibição de gala, não saí de campo, tampouco, derrotado. Agora me sinto como um aviãozinho, voando por sobre a chuva. E Viçosa é essa tempestade louca. enviada por Matheus 31/01/2008 20:01 Os sete coalas - Por Ulisses Vasconcellos Era setembro de 1981. Toda a floresta estava em festa, nascia o primeiro filhote da Mamãe Coala. Nascera pequenino, mas esbanjando saúde. Parrudinho e com um singelo sorriso nos lábios, imperceptivelmente tortos. A Mamãe era um poço de felicidade. Olhava sua cria, tão pequena e tão dependente do seu gigante corpanzil tão aconchegante. Ela, que sonhara a vida inteira encher sua árvore de filhotes, enfim, começava a coleção. Aquele nanico filhotinho, entretanto, seria fundamental para o futuro daquela família de mamíferos. Talvez por ser o primogênito, cresceria com um senso de responsabilidade e companheirismo nunca dantes vistos pros lados daquelas matas e ajudaria a Mamãe a criar todos os futuros irmãozinhos. Estava ali, no colo da progenitora, sob os olhos atentos de preguiças, tamanduás, quatis e flamingos, que visitavam o pequeno recém-nascido. Por sua alegria e simplicidade, recebeu da Mamãe um nome inusitado: o pequeno chamar-se-ia Muqueca, e já nascera com a missão de tornar o cruel mundo das selvas um pouco mais dócil, ameno e por que não dizer? humano. Alguns meses depois, lá estavam as cutias, capivaras, gatos-do-mato e duas ararinhas azuis a recepcionar a segunda cria da Mamãe Coala a ganhar o mundo. O pequeno Muquequinha já corria pelas árvores, todo orgulhoso do irmãozinho. E que irmãozinho! O segundo da fila nascera com doze quilos. O maior bebê-coala a se ter notícia nas florestas tropicais. Mais algumas semanas de vida e já estaria maior que a Mamãe. Pobre dela para transportá-lo nas costas até que ele tivesse domínio absoluto das próprias patas. Uma peculiaridade, além do visível gigantismo, o diferenciaria dos demais coalinhas. Seus pêlos tinham um tom escuro bastante característico, o que o configurava como o único coala negro daquelas terras. Por sua astúcia e vigor físico, ganhou o nome do pai: o pequeno amontoado de músculos chamar-se-ia Afonso. Dois anos mais tarde, a Mamãe Coala ia pela terceira vez ao berçário da selva. Amparada por tartarugas, um tucano, uma família de ouriços e uma velha senhora codorna, a matriarca dos marsupiais deu a luz a um lindo coalinha de olhos verdes. Mais um que nascia saudável, e que traria muito orgulho àquela família. Mais tarde, descobririam seu talento para as artes. Faria sucesso no cinema, teatro e nos palcos do mundo da música. Já pressentindo o sucesso da cria, a perspicaz Mamãe dera-lhe um nome forte, que seria capaz de sustentá-lo no concorrido meio das celebridades. O terceiro da fila carregaria consigo o nome Ferro. Os olhos de Afonso e Muqueca brilhavam ao ver a juventude do mais novo coala da floresta. Julho de 1985. Maritacas anunciavam no céu a chegada do quarto filhote de coala. Os sagüis faziam algazarras nas árvores e os rouxinóis dançavam um balé de beleza ímpar sobre os galhos onde residia a família Coala. Nascia mais um jovem mamífero. A Mamãe, já orgulhosa dos outros três, ficava cada vez mais feliz ao ver os seus galhos cada vez mais cheios de filhotes brincando. Enquanto todos congratulavam a Senhora Coala por sua cria, notaram que o pequeno não estava mais em seu ninho. Havia fugido, e o danadinho foi encontrado minutos depois atrás de uma árvore flertando com uma filhote de lebre. E com apenas algumas semanas de vida ele já havia paquerado uma foca, duas jaguatiricas e uma zebra. A Mamãe não pensou duas vezes: o pequeno chamar-se-ia Cano. Infelizmente o momento triste da vida da Senhora Coala também veio desta cria. Foi quando ela viu, certa vez, o pequeno Cano brincando com Ferro, Afonso e Muqueca não conseguir fugir e ser atropelado por uma manada de hipopótamos velocistas. Foi a nocaute. Cicatrizes no nariz o acompanhariam eternamente. Mais meio ano e a Mamãe Coala retornava ao consultório do Doutor Texugo pela quinta vez. O quinto filhote estava a caminho. Um tatu e uma raposa a ajudavam nos últimos preparativos para o pequeno a conhecer a selva. E ele chegou. Nasceu bem menorzinho que os outros quatro. Os pêlos das sobrancelhas eram grossos e fortes. Apesar da desvantagem física em relação aos irmãos, era o mais fofo. Demoraria mais a aprender a falar e a andar. Seria sempre o mais avoado. Seu nome? A síntese da sua personalidade: Lilli. Lilli cresceria como um misto de fragilidade e força interior. E a esta altura da vida, Muqueca já ganhava um trocado fotografando a Companhia de Dança dos Beija-Flores, Afonso vencia o primeiro campeão de vale-tudo da floresta derrotando um rinoceronte na final e Cano ganhava o primeiro Concurso de Mister Selva, desfilando com sensuais trajes íntimos. Maio de 1986. Afonso leva nos braços a Mamãe grávida para o consultório. Cano, Lilli e Muqueca o seguem, aguardando o nascimento do novo irmão. Com esse, seriam seis. Sem complicações, nascia mais um coalinha no reino das selvas. Um babuíno, amigo da família, o ergueu e o apresentou a todos na selva. Um velho panda, a dialogar com um casal de lagartixas, desejava sorte ao pequeno marsupial. Assim como Lilli, o sexto filhote nascera com frágil porte físico. Seguindo a linha de raciocínio do último filhote, Mamãe Coala dera-lhe o nome de Didi. O caçula em pouco tempo já lideraria a família Coala e assumiria o posto de chefe. Mais do que isso, assumiria também uma estranha capacidade de impetrar confusão por onde passasse. As gazelas que o digam. Quando pensava já ter fechado a fábrica, a Mamãe surpreendeu a família com uma inesperada notícia: estava esperando um sétimo coala. Já de idade, teve uma gravidez de risco, mas um parto tranqüilo. As cegonhas enfermeiras experientes a trataram com a atenção que a Senhora Coala merecia. Camelos, águias e iguanas vieram de longe ver aquele que fecharia com chaves de ouro o ventre da Mamãe. Tal qual os dois últimos nasceu magro, contudo, este era bem maior. Os pêlos do bigode, finos e negros, eram sinais de saúde segundo uma antiga tradição. O sétimo coala seria muito ligado a Ferro e também se enveredaria pelo caminho artístico. Ganhou o nome de Maicou, único nome internacional da prole, e, com ele, Mamãe Coala ligava as trompas e decidia não ter mais filhotes. O tempo passou. Um a um os pequenos foram deixando a floresta. Afonso foi o primeiro. Deixou a selva e o país. Foi conhecer a gelada tundra, no norte do globo terrestre, e por lá se estabeleceu. Maicou e Ferro conseguiram, com uma girafa e um leão marinho, fazer sucesso no mundo da música e partiram em turnê. Lilli especializou-se em tecnologia e foi chamado a trabalhar na Nasa, não pôde recusar. Cano e Didi tornaram-se escritores. Começaram cada um com um blog. Evoluíram para livros. Escreveram novelas, roteiros de cinema, artigos de jornal. Em pouco tempo dividiam a presidência da Academia Animal de Letras. Sobrou apenas um. O primogênito. Muqueca não foi capaz de deixar a velha Coala, já com dificuldades de locomoção, para trás. A dor da despedida dos irmãos fez rolar-lhe uma ou outra lágrima. Mas ele ficou. E não vai embora. Ele, que cresceu ali naqueles galhos, pulando de eucalipto em eucalipto, tomou a decisão: dali não sai mais. A Mamãe Coala só tem saudade do tempo em que seus galhos eram recheados de pequenos coalinhas a sorrir. Mas ela sabe que eles estão seguindo os seus rumos. A vida segue. Quando possível, eles se reencontram e relembram das brigas, dos choros, dos namoros, das festas na floresta. Contam suas rotinas, seus problemas. Queriam voltar no tempo. Se pudessem, talvez tivessem aproveitado um tiquinho mais ali, um tantinho mais acolá. Não dá mais. Agora são adultos. E tudo que a Mamãe queria era ver seus filhotinhos correndo, brincando, pulando. Queria eles de novo nos braços, para niná-los. Peraí, alguém acaba de deixar uma cesta lá em embaixo do galho. Descem os oito correndo. Uma cesta e um bilhete. No bilhete os dizeres: Por favor, aceitem o meu filhote. Não tenho condições de criá-lo. Não deixem que este bebê-coala aqui não sobreviva. O nome dele é Ré. ![]() enviada por Matheus 22/01/2008 11:18 Bliguinho
Para a minha surpresa, percebi que era Bliguinho. Na madruga, melancolia e solidão. Os músculos das costas sofriam: tinha de me curvar para arrastar a mala de rodinhas, com a alça quebrada. Não seria problema se não tivesse de carregar, ainda, uma bolsa, uma mochila, uma sacola imensa. E a pesada saudade que insistia em vir junto. A chuva fina incomodava. Instantes antes, havia chorado pela última vez, ao deixar o apartamento vazio de gente, seu caráter de lar desconfigurado por causa de um mundo de mobílias amontoadas, tanto dos predecessores quanto dos novos moradores. Despedi-me da suíte que fora só minha por meio ano, e dos demais cômodos da casa. Se tivessem o dom da fala, as paredes relatariam às novas gerações, com entusiasmo, as farras ali vividas, desde o tempo em que diversão era tomar um fardo de long neck assistindo futebol na TV. Diálogos com amigos, videogame, namoros, sexos. O ímpeto de nostalgia havia feito telefonar para a namorada de cinco anos atrás. Um contacto inédito, diferente das duas ligações anuais, nos respectivos aniversários. Certamente ela não estaria na cidade. Estava, mas não fez questão de me ver. Com os olhos de cimento rasos dágua, as paredes me disseram o último adeus. Abençoado pelo sentinela da rua, "vai com Deus, irmãozinho!", caminhava lento, dolorido, a caminho do ônibus que me levaria para longe dali. O pensamento perdido em lembranças, planos, lamentações, devaneios. Dado momento, as vistas imperfeitas detectaram um corpo pequeno que se aproximava, e que fez lembrar um sujeito pitoresco, conhecido como Bliguinho. Mas aquele parecia ser ainda menor. Quer ajuda com as malas? abordou-me. Percebi que era Bliguinho. Apesar do rosto infantil e do porte minúsculo, não é mais criança, porque tem barba na cara. Não é adulto, por causa do sorriso puro. Não é mendigo, os dentes saudáveis. Não é lúcido, vaga pela cidade. Vez por outra, em ocasiões inoportunas, presta louvores a este ou àquele time de futebol. Não é bobo, tentou beijar minha namorada uma vez. Este é Bliguinho, que despencou, às três da manhã, na avenida principal, para me ajudar com as malas. Certamente ele sentira pena, mas eu não estava sozinho. Afundado em memórias, no momento derradeiro na cidade universitária, acompanhava-me o motorista espertalhão que me trouxe pela primeira vez a Viçosa. Ele falava um monte de putaria, e eu era um adolescente que me achava muito doido porque ia morar fora aos 15 anos de idade. No som do carro, uma música boa, parecendo Country, que minha ignorância internacional descobriu, anos depois, tratar-se de Dire Straits. Lembrei-me daquele porteiro do prédio, que conseguia gostar de mim, embora eu fosse o adolescente mais baderneiro do condomínio. E a turma do colégio, a mulherada, os malucos da cidade. E a índia pela qual me apaixonei. Os caras da república, os amigos da faculdade. A partir daquele momento tudo seria passado. E a última pessoa que encontrei na cidade enquanto ali morava foi o pequeno Bliguinho, que nem tem idéia de quem eu seja. Misto de criança com adulto, alegria, insanidade. Assim como a vida em Viçosa, que se findava. Quer que te ajude com a mala?. Precisa não, Bliguinho, já tô chegando. Deu meia volta e sumiu no mundo. enviada por Matheus 22/01/2008 11:16 Dead Line
O último a sair, apague as luzes. Mas caso olhe para trás, sentirá vontade de chorar. No máximo uma espiadinha. Verá a sala de aula, onde, nos dias derradeiros, reuniam-se os colegas, poucos instantes por semana, para tratar de coisa séria. Ao longo de quatro anos, a sala que era cheia foi aos poucos se esvaziando. Empurraram-nos várias histórias, além de economias, letras, teorias e práticas. Poucas coisas imperdíveis. Dos espectadores, apenas a metade sobreviveu até o triste fim. Complicado de aceitar estamos no Dead Line. A sala de aula, ambiente secundário, mas palco de episódios marcantes. Entre os protagonistas, um professor de Filosofia que contava mentiras, um de Ética que pegava as alunas, um de Assessoria que rasgava o verbo sem pudor, uma muito gostosa que lecionou Redação e Expressão Oral. E ainda: aquele estudante que discordava de tudo, outro maloqueiro e sofredor, um amável senhor cachaceiro, aqueles defensores do movimento estudantil, um fotógrafo que de vez em quando sumia. Uma cantora fenomenal, um pessoal de sotaque esquisito, um bom moço do Norte de Minas e as feras do telejornalismo. Um desenhista de outro mundo, uma de cabelo de ovelha, uma de língua presa e a dona da maior gargalhada do mundo. Uma garotinha que pegou a galera toda, um flautista que não tem preço, uma que bebe Vodka, uma mãe loira do funk. Um carioca de Campinas, um candidato a prefeito, um pop-star sempre com um violão a tiracolo e aquelas das cirurgias plásticas. Uma virgem. Um cidadão que com certeza tá na moda, os saudosos bioquímicos e um cara com a cabeça e o cérebro gigantes. Uma maníaca por histórias em quadrinhos, uma recatada com apelido de Bebinha, a turma do Café. Uma respeitada escritora, um palhaço que proferia baboseiras sobre o amor durante as aulas. Recordações de momentos intensos, de conflitos, bebedeiras, trocas ou mesmo compatibilidade de namoradas. Lembranças da turma de calouros que começou unida. Tão unida que virou pegação. Baladas durante toda a semana. Trabalhos em grupos de vinte componentes. Vários marmanjos de queixo caído por certa mocinha de Guarapari, que, por sinal, sem tardar foi fisgada e mantida em boas mãos. Babacas que se autoproclamaram um bicho da Austrália. Luau às quintas-feiras, onde todos ingeriam um veneno negro chamado Suco Gummy. Churrascos com cerveja Krill quente, a 1 real, bunda-lelê. Sinuca no Subsolo. Xixi de porta aberta, xixi sem abrir as calças. Falta de aplicação generalizada em Editoração. Alunos vegetativos, às manhãs de sexta-feira, nas aulas de Ernane. Vida social no extinto Complexo do Betinho. Vibramos com o Imprensionados até o apito final. E também com o Balango. Casa 39, Podcasting, Dentro do Balaio, Meninos Maneiros. Erecon, Intercon, projetos para o semestre. Outro Olhar, Logus, Physis, ritmo Kátia Fraga, Lar dos Velhinhos. Hospital São Sebastião: o hospital melhor do Brasil. Arthur Bernardes. Expedições a Diamantina, Mangaratiba, Juiz de Fora, Ibitipoca, Portugal. Bartucada em Teixeiras, Buchecha em Guiricema, Casaca em Ervália, Los Hermanos em Ouro Preto, Latino em Porto Firme. Nico Lopes, Ferro na Boneca, Ararita, Alunte, Jacu do Blues, Nico Loco, Banda Muito Mais. Dom Mingote. Sítio da Rua Nova, Paraíso, Adão. Sítio do Pelé. Biquini Cavadão. American Pie. Bebedeiras no Denílson, Helinho, Sabor e Cia. E os parceiros, difícil enumerar todos. De início, contávamos com os consagrados Bruno Winckler e Thiago Futebol Clube, além do gigantesco e eterno Afonso mas eles se foram precocemente. Joselitas, também companheiras, disseram adeus no meio do caminho. No mesmo time, tínhamos craques como Rivaldo, Ronaldo, Baby, que foram bilhar em outros gramados. Mais tarde, perdemos Inácio Cunha, Randy e a Turma da Floresta. O pequeno Manoel, que tanto nos ensinou, foi outro que partiu. Douglitos, vimos escapar por entre nossos dedos. Em compensação chegaram reforços de peso como o jurídico Bel, a dupla de dissidentes Vitor Place e Victor Fumaça, a corja fantástica dos Lillis Lillizinho, Lilli 3 e Lilli 4, a nova geração da Produção e, ao contrário do que muitos poderiam presumir, o elástico Régis. Rodolfão teve uma passagem rápida, mas fundamental. Em 2006, aqui embarcaram ninfetas gostosas, calourinhas que foram acolhidas com carinho. Além disso, assinamos com Inácio Rios e conseguimos renovar com o carismático Cabeça, o excêntrico Frank e o fantástico Lock. Os inimigos foram pouquíssimos, mas necessários. Até mesmo os Gazelas são dignos de gratidão, afinal, que graça haveria se o clima fosse completamente amigável e civilizado? Falando nisso, agradeçamos ao professor Bigode por não deixar que tudo fosse tão fácil e à dinastia dos Thomas, liderada pelo patriarca Paulo, que nos proveu bastante experiência desnecessária de longas jornadas em sala de aula. Imensas gratidões, também, àqueles que acompanharam de perto nosso desempenho. Jamais serão esquecidos: Pepsi, Zé Gatão, Marcelo Shorts, Anderson Anderson, Anderson, Andersinho, Letícia Cocô, Nat-tália, Camboja, o cara de Monlevá, Jaque Brasila, Bruno Blau, Glauco Cano, Cachoeira Maluco, o viadinho, Afonso do Direito, Maçã, Luciana Balango, Lucianona Balangona, Marcelo Balango, Kelly Arlindo, Mari Arlindo, Mariah, Cícero, Pereira, os caras da excursão do Carnaval, os CaraVelhos, Pedro Morgado, Ervilha, Marina Monlevá, Cerezo, Vanderleta, Lilli 2, Pereira, Luciano sem queixo, o garçom Arlindo, Adílson do RU, Ana Paula Love, J.R. Duran, Rizzio Board, República Olimpo, o Mijelinha Alemão, Pitty e seu fiel escudeiro Pittinho, o Saponáceo da Farmácia, entre outros... Parecia mesmo que não ia ter fim. O conto de fadas chamado Viçosa, o lugar onde todo mundo é Place, cenário de tantas aventuras. Talvez nem dê tempo de despedir de tudo e todos antes do adeus. Começar na quinta-feira, dando um abraço no Japonês. Agradecer pela cachaça. Ali, já dá para matar o Leão e o Ramirez. Aquiles, Mijela, Arlindo do Amendoim. Quero encontrar Valmir, e, com bastante sorte, Blig. Se possível, divertir com Bliguinho. A Denílson, já foi prometida uma festa de despedida regada a cachaça dourada, tropical, infernal ou da paz. Rogerinho, autor do melhor grito de guerra do mundo, faz tempo que anda sumido. Pastel no Zequinha é imperdível. Paulo Dimas de Oliveira deve estar por aí, sempre, universal, trabalhando, construção civil, esperando materiais. Ou mesmo de bobeira Que Deus o proteja. Festa lá no Coalas é garantido, Casa da Vovó não dá mais. Uma balada no Galpão. Outra no Subsolo e no Multiuso. Lama na cervejada. Procissão, onde as coisas acontecem. Capelôncio, Felipôncio, Héctor Bataglia. Batcaverna, Sonic IQ, Carraspana. Casa da Vivi, Casa do Vitão. Festa dos Dias, Festa do Fetiche. Churrascôncio, Churrasco do Cano, Pão de Queijo do Cano. Acho que não vai dar tempo. Corrida atrás de estágio, agora, atrás de emprego. Tá acabando a vida boa. O aperto no coração, cada vez mais ferrenho, a saudade dos amigos, de lugares, de situações e momentos. Monografias, Web TV, vídeo documentário, primeira publicação por jovens jornalistas. Sintomas de que agora somos gente grande. Chega o Dead Line e, interessante, quase ninguém mais quer se pegar. Só amizade e nostalgia antecipada. No Dead Line, lembramos de pedir perdão a quem magoamos e no fim acaba tudo bem. Não há mais tempo para ressentimentos. Tampouco para uma nova paixão ou a consolidação de um amor recorrente. Nem de vender todos os móveis. Começa uma nova vida a partir do Dead Line. O último a sair, apague a luz e saia sem olhar pra trás. enviada por Matheus 11/04/2007 20:55 Sou eu, soy yo!
Digam o que quiserem. Ele é mesmo a sensação do momento. Me refiro ao auto intitulado famoso Biro Leyby. O MC foi a explosão do carnaval de 2007 e certamente incendiou o coração de milhões de foliões. A batida envolvente do funk não sai da cabeça e os versos de fácil assimilação estão na ponta da língua dos brasileiros de todas as idades. Prato cheio para os vislumbrados pelas pérolas da MPB, admiradores do que definem como boa música - consequentemente, os críticos das expressões musicais populares. Esses não hesitam em depreciar, por exemplo, os artistas do funk. Caem sempre no lugar comum de desvalorizar justamente aqueles que fazem a balada bombar, os verdadeiros donos da festa. Os radicais, cujos ouvidos doem com o pancadão do funk, talvez nunca tenham tocado um só acorde no violão, ou composto um único versinho no jardim de infância para o dia das mães. Ainda assim, detonam a sonoridade e as construções poéticas do Biro Leyby, ou do Latino, ou do MC Bochecha. E aí eu pergunto: como é que pode? Não são palavras de um funkeiro de carteirinha nem nada parecido com isso, tampouco de um inimigo das canções dos festivais antigos, que foram eternizadas, claro, pelo brilhantismo de seus compositores. É apenas a tentativa de reconhecer um importante papel da música: o de alegrar o clima, envolver a multidão e marcar épocas das nossas vidas. Quantos de nós não voltam um ano no tempo ao ouvirem Se ela dança eu danço..., ou relembram a curtição de dois anos atrás quando toca Festa no apê?... Boas lembranças de festas e carnavais. Sim, o que alguns chamam de lixo cultural. Mas voltemos ao Biro Leyby. Certa vez, um grande amigo meu por sinal, renomado jornalista e cronista definiu as canções do MC como de gosto duvidoso e sentido vago e publicou um texto, se referindo ao cantor, ironicamente, como o famigerado conquistador de gatinhas. Segundo ele, no Brasil há uma banalização da indústria cultural, e ninguém nunca deveria ter dado bola para o bê-a-bá de um conquistador. Eu fingi que concordei, para não parecer muito moderninho. Mas o leitor me responda: Quem foi que disse que boas músicas necessariamente precisam ter rimas ricas e letras elaboradas? Os clássicos da MPB nunca arrancaram de mim um só sorriso de prazer, tampouco nunca peguei uma mulher alegando ser o Tom Jobim... mas isso é outro papo. Agradeço ao Biro Leyby por ensinar de maneira tão criativa o bê-a-bá. Por ter marcado o meu carnaval e o de tanta gente com seus versos hilários. E por concordar comigo que, se a gatinha quer carinho, hum... não tem caô! Sucesso ao famoso Biro Leyby, para que sua onda não seja tão repentina como possa parecer. Mas, se for, com certeza já terá valido a pena. Que ele continue a conquistar as gatinhas e o público de todas as faixas etárias, afinal, a idade não importa, pra quem sabe brincar.... enviada por Matheus 09/04/2007 16:48 Peqüeno comentário sobre a vida real
Terminou, após 85 dias de confinamento, o Big Brother Brasil 7 o jogo da realidade. Durante quase três meses, o Brasil todo se inteirou, participou e julgou os 16 jovens aprisionados na mansão mais observada do país, sedentos por fama e guiados pelo sonho de se tornarem milionários. Seria apenas mais uma banalidade da mídia com o propósito de abocanhar a audiência? Na verdade, é mais do que isso. No Reality Show as faces do homem são expostas de maneira perversa. O jogo da realidade coloca o ser humano diante da própria personalidade, cara a cara com as suas fraquezas e virtudes. Vigiados em todos os seus passos e submetidos à aprovação de milhões de espectadores, os candidatos vivem num mundo à parte, que nada mais é do que um espelho da vida real. Do lado de lá das câmeras, jovens acuados, temerosos, inteligentes. Não há para onde fugir ou se esconder. É como se andassem sobre uma corda bamba: tender para algum lado pode significar a queda. E assim como no mundo em frente à tela, é fundamental conquistar aliados, traçar estratégias, e, muitas vezes, fingir. Escolher entre o bem e o mal. Aliás, o que é mesmo o bem? E o mal? Até que ponto a amizade é mais relevante que os objetivos pessoais? Ser eu mesmo ou ser agradável? E até quando se pode confiar em alguém - se é que isso é possível em algum momento? Essa turbulência de contradições mostra, no Reality Show, o ser humano como ele é. É fundamental saber ler o jogo, do mesmo modo que é necessário ler a vida. Lutar pela liderança e pela sobrevivência, semana a semana. E finalmente, assim como no mundo real, os mais fracos vão sendo aos poucos eliminados - ou os menos inteligentes, ou os de menos sorte, ou, no fim das contas, os injustos. É o show da realidade no ar, transmitido via satélite, demonstrando o jogo da vida entre os quatro cantos da tela da TV. Vida Real Paulo Ricardo Se você pudesse me dizer Se você soubesse o que fazer O que você faria Aonde iria chegar... Se você soubesse quem você é Até onde vai a sua fé O que você faria Pagaria pra ver Se pudesse escolher Entre o bem e o mal Ser ou não ser... Se querer é poder Tem que ir até o final Se quiser vencer... Se pudesse eu te levaria Até onde você quer chegar O brilho das estrelas O primeiro lugar O mundo é perigoso E cheio de armadilhas De mistério e gozo Verdades e mentiras Viver é quase um jogo Um mergulho no infinito Se souber brincar com fogo Não há nada mais bonito enviada por Matheus 26/02/2007 17:00 Projeto Diamantina - A saga completa
*Este texto é de autoria do jornalista Ulisses Vasconcellos Capítulo I A preparação Dez meses após a primeira e inesquecível viagem juntos, lá estávamos nós em busca da segunda aventura. As lembranças de Mangaratiba nos davam forças para encarar os desafios que nos esperariam. E assim partimos rumo aos dias mais inacreditavelmente maravilhosos das nossas vidas. Para começar com o pé direito, uma visita ao Bar do Denílson antes de tomar o ônibus. Algumas garrafas de cerveja e uma dose descomunal de aguardente nos desejavam uma boa sorte na jornada que se iniciaria. Agora sim, rumo ao Posto Caçula; o ônibus ganhará a estrada em questão de instantes. No embarque, vários amigos juntos em prol de um mesmo ideal. Na despedida, um abraço em quem fica. Quanto a nós, seguíamos rumo ao que destino nos reservava em Diamantina, no melhor carnaval de todos os tempos. A viagem fora mais tranqüila do que esperávamos. O aconchego do ônibus nos fez repousar sem perceber o giro dos ponteiros do relógio. E já em terra firme conhecemos aquela que seria nossa residência nos próximos dias, a acolhedora República Tocaia. Casa de três simpáticas garotas, que abrigou dezenas de jovens e assistiu a inúmeros momentos de diversão. A partir deste ponto, os relatos não mais seguirão nenhuma espécie de ordem cronológica. Nem a mais treinada das mentes humanas seria capaz de afirmar com maestria a sucessão dos fatos que presenciara, tamanha era a rotatividade dos acontecimentos marcantes. Atrelarei-me ao que mais merecer estar imortalizado neste artigo. Foram muitas boas lembranças. Trouxe comigo de Diamantina muito mais do que uma queimadura de cigarro na mão. Capítulo II Os donos da festa Bat Caverna e Bartucada. Esses nomes não serão esquecidos tão cedo. Pouco importa se eu só consegui ver a Bat Caverna no último dia. Eu vi o Batman descendo pro palco! Que cena fantástica. Milhares de pessoas olhando fixamente para cima de um casarão. Silêncio na multidão. Lá do alto, ele, o Batman! De repente, fogos e mais fogos de artifício colorem o céu. A banda agora toca, explosivamente, o tema do seriado. Arrepios e ansiedade. Muitos arrepios, e muita ansiedade. E o Morcego se joga rumo ao palco nos cabos da tirolesa. Gritos de euforia. Batman assume o comando e o microfone da Bat Caverna, e concentra todas as atenções do início da noite em Diamantina. Eu, em vão, esperava que o Robin também viesse. Fica a sugestão para o ano que vem. A Bartucada comandava a festa do começo da madrugada até o infinito. Os vocalistas se revezavam, até a chegada do que para mim, é o cantor com mais presença de palco no mundo. O último da noite. Um senhor de meia-idade, que soube como ninguém conduzir os milhares de foliões. E apaixonado! Não sei quem é ela, mas se chama Raquel. E nunca mais esquecerei o lema que ele bradava, com amor na voz, todas as noites: Eu vou voar, atrás da Raquel/ Vou encontrar, encontrar a Raquel/ Eu quero a Raquel/ Eu quero a Raquel/ Eu quero a Raquel, numa paródia de Eu quero esse amor do Chiclete com Banana. Tão lindo quanto isso foi ver o Samuel, vocalista da Bat Caverna, cantando à frente da Bartucada. União entre as duas responsáveis pelo sucesso incontestável do carnaval da cidade. Capítulo III República Tocaia / A equipe Não sei ao certo quanto éramos, mas certamente muitos. E de todos os cantos. Essa era a equipe que se entrincheirava na República Tocaia. A toca em si não era das mais estruturadas. Já no segundo dia, foi decidido que a porta da frente fosse retirada para que os integrantes pudessem em casa entrar, já que a chave extraviara. Depois, foi a vez da porta do banheiro perder a fechadura. Cada quarto comportava suas dezenas de integrantes sem muito conforto, embora entre eles houvesse bastante espírito de equipe no tocante ao revezamento das horas de repouso. Era apenas um banheiro, talvez até seja por isso alguém, até o fechamento deste texto não-identificado, optou por defecar no canil ao lado da varanda. Os copos foram aos poucos desaparecendo. Água potável não se via mais. E foi nesse exótico contexto que conhecemos aqueles que seriam nossos companheiros durante toda a caminhada. Na falta de Fernandôncio, encontramos um Fernando. Hernando, como foi batizado surpreendeu a todos já nos primeiros instantes de convivência ao adotar e aprovar nosso tradicional drink misto de aguardente e extrato de própolis. Dias depois viria a sangrar o nariz na latinha de cerveja e continuar a bebê-la. Na falta de Régis, encontramos um Régis. Isso mesmo, Marcelo foi apelidado com o nome de nosso amigo, e não mostrou a menor resistência. Alegamos que eles pareciam, embora ninguém de fato acreditasse nisso. Conquistamos mais um para o time. Eu e ele esperamos juntos uma chuva estiar enquanto bebíamos cerveja na Mercearia Tropical, falando de nossas famílias, nossas vidas acadêmicas, nossos amores. Por último, na falta de Roger, encontramos um Tobias. Aparentemente sem nenhuma semelhança física, moral ou nominal entre eles, mas que completava o grupo. Um rapaz aparentemente estranho, mas de muito bom coração. Não serei injusto a ponto de tentar citar o nome dos outros guerreiros porque seguramente algum deles será esquecido. Considerem-se todos registrados neste documento. Entretanto, há duas pessoas às quais não posso deixar de aqui fazer menção. Uma é a tia Lalá. Sem ela, nosso carnaval não teria sido o mesmo. Dona do melhor restaurante das galáxias, ela encontrou-nos famintos, maltrapilhos e cabisbaixos na rua em busca de comida e levou-nos ao seu estabelecimento. Nos alimentou e ganhou com isso, nosso eterno carinho e admiração. A velhinha mais simpática do norte mineiro. O outro talvez chame Diego, um amigo que vendia cerveja e espaguete, e fazia questão de me chamar pelo nome todos os dias. Não pude despedir dele, mas um dia ainda o encontrarei e direi a ele o quanto me conquistou com sua simpatia. Capítulo IV As histórias É uma pena que a memória falhe em alguns pontos. Tanta coisa aconteceu que pode ser que fique perdida no tempo por omissão da lembrança das testemunhas. Só por parte do Moicano, muitas histórias já nos alegraram nos momentos de recordação. Um dessas, a hora em que o encontramos portando um saco de gelo nas mãos. Segundo ele, extorquira o gelo de um ônibus. O gelo foi motivo de muita alegria; nos refrescamos, fizemos algumas doações, e por último, cedemos-no a alguns jovens trabalhadores a fim de que mantivessem frias suas latinhas de cerveja a serem vendidas. Matheus ainda marcou sua passagem por Diamantina entrando arbitrariamente em um hotel e autoritariamente adentrando um quarto, e se refrescando com um banho. Depois voltou para as ruas como se nada tivesse acontecido. Isso sem falar nas vezes em que optou por urinar sob a própria roupa, a fim de não despender tempo desnecessário caminhando até os sanitários. Mas nada se compara à vez em que se aproximou de uma garota e foi indagado sobre quem ele era. Imediatamente, com um sorriso maroto e a com a maior naturalidade do mundo, respondeu: Eu sou o Cano. Ponto Cano ponto blig. O rapaz aproveitou o início de uma amizade para divulgar seu domínio virtual. Ao ser recordado do que havia feito, passou toda uma noite aliciando internautas a acessarem seu web site. E o Renan, que ao ser desafiado a fazer uma rima, pegou o mega-fone emprestado e lançou: Eu sou o Ferro e meus amigos são sabão/ Vamo aí que o verão já começou. A homenagem referenciava seus dois amigos que, juntos, deitados no chão da rua, riam incontrolavelmente. Éramos eu e o Cano. Outra frase que me marcou foi dita por ele quando contemplávamos extasiados o som da Bat Caverna. Ferro se vira para mim e inicia um diálogo: Por que nós não tamo chegando em ninguém? Nós tamo tipo tranqüilo na balada? E eu: É.Ah, então beleza. Isso já depois dele ter vencido a aposta entre nós. E era a aposta! Valiam oito latinhas ao integrante que conseguisse beijar a mais feia dentre as garotas do carnaval. Em caso de empate, o último a cometer a façanha, levaria o prêmio. E assim foi. No critério de desempate entre eu, Cano, Ferro e Hernandes que nem ao menos estava participando da aposta -, ele anota em sua conta as latinhas. Um grande feito. Méritos a ele. O Saulo conseguiu o que todo mundo já esperava. Tornou-se a figura mais popular do carnaval. Conseguiu ficar todos os dias bêbado e perder, sempre que parecia impossível, um pouco mais a noção. Em certa ocasião, saiu de casa trajando roupas compridas. O calor atormentava-o e o impedia de desfrutar da diversão daquele determinado momento. Viu então uma loja de vestuário. Foi comprar uma bermuda a fim de tirar sua calça comprida. Porém, esbarrou num obstáculo inesperado. O preço da bermuda era muito mais elevado do que ele imaginara. Inácio então, sem pensar duas vezes, escolhe uma saia, paga o produto adquirido e sai com ele da loja como se nada tivesse acontecendo. Por alguns momentos foi um pouco inconveniente, como nas várias vezes em que não me deixou dormir, causando grande estardalhaço no quarto e jogando seu corpo sobre o meu numa clara tentativa de suicídio. Finalizou sua participação extorquindo um energético da geladeira da Tocaia e indo beber escondido no quarto onde por sinal, eu tentava, em vão, dormir. Uma história que merece ser imortalizada é o banho que tomei em conjunto com meu amigo Cano. Já que somos heterossexuais, temos plena convicção disso, e havíamos combinado com toda a trupe que chegaríamos apenas em mulheres nesse carnaval, não vimos nada demais nisso. Talvez usar shampoo de poodle, estar do lado de um amigo - no caso Hernandes - defecando e de um outro Inácio - tentando urinar por entre as pernas do primeiro, realmente não seja a coisa mais convencional já vista até hoje. Ainda mais com todo o resto da casa no recinto. E o dia em que fomos num restaurante supostamente para almoçar. Na verdade, fomos mais do que extorquidos. R$5 por um pratinho mínimo de macarrão. Após o almoço, vejo, no próprio estabelecimento alimentício, uma plantação de uvas. Estavam verdes e pequenas, mas eram uvas. Senti-me no direito de fazer justiça com as próprias mãos e extorqui o restaurante, adquirindo autoritariamente alguns cachos. As uvas fizeram sucesso. Do restaurante fomos para o bar do Titi, onde muita gente apreciou o sabor das uvas verdes por mim extorquidas. Saindo do Titi, e após o Ferro ter cantado no mega-fone, foi a vez de fazermos mais amizades. Três amigos vindos de Mato Grosso. Conversamos sobre futebol, fizemos ainda mais amizades e desfrutamos do prazer de uma Vodka Absolut com energético, coisa que nossa condição financeira jamais nos permitiria ao menos imaginar. O drink, apelidado carinhosamente por eles de Podruto, era delicioso. Ganhamos mais algumas latinhas de cerveja de nossos amigos com poder aquisitivo um pouco maior, e pomo-nos rumo à Tocaia. Na chuva. Termino essa seção relembrando que fizemos de melhor em Diamantina: paródias. Foram muitas, algumas inesquecíveis. Que batida é essa que na balada é sensação/ É claro que o Tatá é seu irmão. Isso é só a ponta do iceberg. Se a torcida do Flamengo inventou um Obina é melhor que Etoo/ Obina é melhor que Nilmar, nós assim comparamos todos nossos amigos, conhecidos, desconhecidos, a tia Lalá e quem mais cruzasse nosso caminho. Diamantina foi melhor que Nilmar. Capítulo V A Despedida Tudo que é bom dura pouco. Na verdade, nem durou tão pouco assim. Foram cinco dias intensos de alegria. Viajamos, conhecemos mulheres e adquirimos vivência. O que presenciamos foi inesquecível. Cada brincadeira, cada novo amigo, cada risada, cada cerveja, cada música da Bat Caverna e da Bartucada. Lembranças eternas. Foi lindo ver todos nossos amigos fazendo o que carinhosamente chamamos de Paulo Ricardo, que consiste em imitar nosso amigo Paulo, mantendo a língua em rotação fora da boca. Foi lindo ver todo mundo usando o termo balada. Foi lindo mesmo. Mas uma hora teria que acabar. Lembro da hora em que pedi a todos os presentes que olhassem fixamente para o palco, onde lá embaixo, tocava, a todo vapor, a Bartucada. Era hora de ir, o ônibus da volta não demoraria. Eu, o Capô, o Moicano, a Safira, a Fernandinha e a Paula concedemos um sincero aplauso à cidade, que se tornou especialíssima em nossas vidas. O último almoço na tia Lalá. Uma última salva de palmas a ela. Estava acabando de verdade. Em casa, ainda percebo que fui extorquido. Levaram meu chinelo. Sem problemas, que ele viva bem com seu novo dono. O carnaval acabou. Agora lembrava de quando estávamos ainda em Viçosa, ainda no Denílson, e vimos nosso ônibus passando rumo à plataforma de embarque. O nosso ônzzzbi, o nosso ônzzzbi, bradávamos com euforia. Estava agora voltando ao mesmo ônibus que me trouxera, cansado, queimado de sol, mal nutrido. E feliz pelo que vivi, e triste pela despedida. Como lado bom, pensava apenas que em casa eu poderia dormir em silêncio, em uma cama macia. E sem o Saulo. Fica aqui para a posteridade este simples relato. Não é um texto adjetivado que fará ninguém sentir o que sentimos. A intenção é tão somente registrar momentos que tão cedo não se repetirão. Obrigado Cano, Ferro, Inácio e Maicou. Obrigado Tobias, Hernandes e Régis. Obrigado Fernandinha, Safira e Paulinha. Obrigado Vivi, Camila e Luiza. Obrigado tia Lalá. Obrigado a todas as moradoras da República Tocaia e a todos os que lá se hospedaram. Obrigado a todos os bêbados que conversaram conosco, por alguns instantes que seja. Obrigado Bat Caverna. Obrigado Bartucada. Obrigado Diamantina. Isso não é um adeus, é um até logo. enviada por Matheus 01/02/2007 22:16 Trabalho interdisciplinar COM 341/COM 381
Ronaldo, a volta por cima? Diferentes interpretações da mídia sobre a transferência do Fenômeno para o futebol Italiano Terminou, após várias semanas de especulações, a novela da transferência de Ronaldo do Real Madrid para o Milan. Aos 30 anos, o jogador vai defender as cores do sétimo clube de sua carreira meteórica, que começou como profissional em 1993. Antes de chegar ao rubro-negro de Milão, Ronaldo passou pelo São Cristóvão e pelo Cruzeiro, no Brasil, e pelo PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale e Real Madrid, na Europa. Mesmo sendo vítima de várias lesões, faturou, em três oportunidades, o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA. Desde o início do mês de janeiro, Ronaldo vinha sendo afastado pelo recém-contratado treinador Fabio Capello. Sua última temporada na Espanha foi bastante apagada e, além disso, foi um dos responsabilizados pelo fiasco brasileiro na Copa da Alemanha. O Fenômeno, como ficou conhecido desde quando defendia a Internazionale, desligou-se do clube espanhol pela relativa bagatela de 9,7 milhões de dólares. Em 2002, o centroavante havia sido comprado pelo Real por 50 milhões, o que representa uma desvalorização de mais de 80% do seu passe. A mídia interpretou o acontecimento de diferentes maneiras. Alguns sites, como o globoesporte.com, abordaram com entusiasmo a transferência do Fenômeno. Esta seria a grande oportunidade para que ele recobrasse o brilhantismo de outros tempos. Uma de suas manchetes é: Espanhóis acreditam na volta por cima de Ronaldo. A matéria trata de uma enquete realizada por um jornal espanhol, na qual 55% dos votantes manifestaram esperança no retorno do craque. Além desta, o globoesporte.com também foi otimista na divulgação das boas vindas de seus novos companheiros a Ronaldo e do sucesso de vendas de camisas com seu nome. No site do jornalista Milton Neves, nenhuma euforia no anúncio: Sem glamour, Ronaldo chega ao Milan. A cobertura do primeiro treino de Ronaldo na volta à Itália também teve diferentes abordagens. O site mineiro superesportes evidenciou o baixo número de torcedores e também a opinião dividida da torcida e da imprensa italiana. Ainda mais incisiva, a manchete no terraesportes é: Nenhum torcedor recebe Ronaldo no CT do Milan. Enquanto isso, o gazetaesportiva.net anunciou com os seguintes dizeres a apresentação do atacante: Ronaldo treina com elenco do Milan e recebe elogios. Mas também pôde ser observada a imparcialidade na interpretação feita pelo site do estadão. A notícia, divulgada em 31 de janeiro, não desvaloriza o tema, tampouco manifesta entusiasmo exacerbado. Ela cita porém, não na manchete a inesperada ausência de torcedores para prestigiar o ídolo. Por outro lado, menciona o otimismo de Ronaldo, inclusive, quanto à sua volta à seleção. Um mesmo fato visto por diversas angulações é uma das características marcantes da grande mídia. Logo na abertura do site oficial do Milan, o nome de Ronaldo aparece estampado em letras garrafais. Mas, como foi observado, o atacante está longe de ser unanimidade e muitos alimentam sérias dúvidas quanto ao seu valor. Acontece que inúmeros fatores e interesses são considerados para ditar a maneira pela qual será divulgada a notícia. Chega-se a cogitar até que a própria contratação do jogador, um dos mais badalados dos últimos anos, tenha sido baseada numa estratégia de marketing por parte do clube italiano. Antes mesmo que Ronaldo tivesse sido apresentado à claque do Milan, haviam sido vendidas milhares de camisas com seu nome e o número 99, que ele passará a usar. Dessa forma, cada meio veicula a informação da maneira que lhe convier. Mais do que vai representar a opinião do profissional do jornalismo, a notícia que veiculará será a que mais vende, e a que atende aos interesses da empresa e ao dos anunciantes. enviada por Matheus 18/01/2007 21:25 Blog do Cano 2007 - de linha editorial e cara novas. A seguir, reedição de texto publicado no Blog dos Coalas em 30 de Setembro de 2006.
A Final... Minha vida inteira passou em um filme diante de meus olhos naqueles instantes. Caminhava pela reta da Universidade a passos lentos, e o céu acinzentado, deprimido, insistia em me desencorajar. Em poucos minutos, enfrentaria aquele que seria até então o maior desafio de toda a minha trajetória acadêmica. Do outro lado do tatame, o único homem que algum dia ousou submeter um Coala à berlinda da prova final. Seu nome: Jonaz Queiroz Thomas. No trajeto de poucos quilômetros que distanciavam o meu lar e o Departamento, a memória vagava, procurando, sem querer, desvendar as circunstâncias que me conduziram àquela situação. E meu coração se estraçalhava com a constatação de que eu havia sido relegado à categoria de paspalho, quando mergulhei de cabeça no universo da formação histórica brasileira, num vão esforço de ser aprovado em curto prazo. Dias, noites e madrugadas de árduo estudo jogados ao relento. Vinte e quatro horas antes, eu ainda dialogava, a contragosto, com Gilberto Freyre. Ele me dissertava a respeito do ar quente e oleoso, advindo da África, que temperava o Brasil-colônia. Eu, em silêncio, retrucava com ele: Ora Gilberto, por acaso queres que eu te diga quem é quente e oleoso, seu filho da puta??? Certamente eu não precisaria nem dizer. Revolução Técnico-Científica, burguesia, aristocracia, pacto colonial, liberalismo, neocolonialismo, neonazismo... Era só o que eu podia conceber! Estive alienado, alucinado. A barba, já não aparava mais. Os cabelos, não os lavava. As unhas, há tempos não cortava. O tártaro agigantava-se aos meus dentes; os piolhos, aos meus dedos dos pés. Onde eu fora parar? Em quê eu me transformara, por conta da terceira avaliação de J.Thomas??? Recordei-me da expressão trágica de meu amigo Ferro, quando da divulgação da nota do trabalho sobre Rui Barbosa (outro filho da puta!). O olhar desapontado de meu comparsa parecia querer dizer: Que vida louca, não?... Afinal, será mesmo que faltou-nos caráter, como se queixara o professor? Até quando a perseguição vigoraria? Conseguiria eu, enfim, me superar? Todas essas turbulências que atordoavam meus pensamentos eram, de súbito, amaciadas pela bela imagem dos olhos tropicais de Jaque Brasila, que a mim emergiam. Ela, a minha musa do intercurso 2006/1-2... Tolice! Não há tempo para isso. Colonização, escravidão, Inconfidência Mineira, monopólio comercial, Revolta da Vacina, Revolta de Canudos... Que bosta. Falta muito pouco para o duelo. Só eu e J.Thomas, cada um por si. Olho para o céu, na tentativa de localizar a estrela mais radiante, que haveria de conectar a cidade de Viçosa a Ipatinga, Juiz de Fora, Montes Claros, Niterói, Bragança, Brasila. Eu necessitava de energia extra. Ao certo, por trás das nuvens negras que cobriam o firmamento, escondia-se a estrela, canalizando a força de meus amigos para meu coração. Eis que penetro o edifício do DAH, na justa hora combinada pelas partes. Lá está ele, à espreita, como uma serpente que aguarda um passo em falso da sua presa. Coincidentemente, uma antiga professora, conhecida e querida, se faz presente, e o profere referências a meu respeito: Esse garoto, peça rara, da pá virada. Mas é um bom menino!. J.Thomas, sem olhar em meus olhos, dispara: É mesmo? Pois pergunte-o o que faz aqui.... Sua ironia quase despedaçava minhas esperanças. Entregou-me a avaliação. Eu o mirava feito um boxeador irado a seu oponente. Ele se continha, e evitava o meu olhar. Que diabos seriam as limitações do conceito de família patriarcal? Ah... os lábios carinhosos e os olhos tropicais de Jaqueline...! Padrão de privacidade por Nicolau Sevcenko seria o primo de Andriy Shevchenko, ponta-de-lança do Chelsea? Pressões sofridas pelo Antigo Sistema Colonial para a emancipação política... A voz deliciosa de Jaque Brasila. Que magia têm aqueles olhos tropicais, a pele alva e macia...! E como quisera eu me apoderar, só por um instante, da sabedoria de Maicou. O tempo já foi. exclama J.Queiroz Thomas, por cima dos óculos. Puta que pariu!!! Antes de devolver a folha, intimo o mestre: Hei, Jonaz, haja o que houver, seja justo!. Por muito pouco, não obedeço ao meu subconsciente, desejoso de que a boca reverberasse: Hei, Jonaz, haja o que houver, vai tomar no c#!. Pela primeira vez, ele me fita. Esteja certo de que serei justo. Pois bem. Que assim seja me despedi. A ansiedade toma conta de meu espírito nos dias que se seguem. A fome não me assola, a sede não me tortura. A alegria de viver não resplandece em meu semblante. Nem mesmo um corpo de mulher é capaz de me erguer. Contudo, a solidariedade dos verdadeiros amigos consola e acalenta minha angústia, fazendo-me crer que a vitória é possível. Milhares de mensagens no celular, no fax, scraps, e-mails, telegramas, expressando a torcida pelo meu êxito. Quarenta e oito horas depois, a sentença a aprovação. O pesadelo se finda, trazendo a libertação de um desgostoso convívio, no próximo ano, com a geração perdida de 2005. É o triunfo da imparcialidade sobre a perseguição, da justiça sobre a discórdia. Do Não sobre o Sim. E digo mais: 2006/2 que me aguardasse. Não perderia minha ternura, mas seria muito mais duro na queda... enviada por Matheus 17/12/2006 15:28 O vermelho que inundou o mundo
Na manhã de 17 de dezembro de 2006, os deuses do futebol se vestiram de colorado, castigaram o Dream Team de Ronaldinho Gaúcho e surpreenderam o mundo ao conceder ao meia Adriano Gabiru a missão de ser o herói da mais importante conquista da história do Internacional de Porto Alegre. As estrelas milionárias do Barcelona sucumbiram diante da bravura gaúcha. Embalado pela sua torcida que foi até o Japão e contando com o brilhantismo de Iarley, o Inter se consagra como o melhor time do mundo. A equipe da Catalunha entra muito à vontade, disposta a dar espetáculo. Com tranqüilidade e toques de primeira, envolveu os atletas brasileiros, aparentemente nervosos no início do jogo. Mas o treinador colorado Abel Braga bem advertira que o favorito Barcelona não teria moleza, e montou seu exército para vencer. O lateral direito Ceará foi incumbido de parar o Show Man e foi implacável na sua tarefa. O garoto Alexandre Pato, sensação do time, também começa com empenho. Cabe ao líder e principal peça do esquema, Fernandão, o papel de organizar o meio-campo do Internacional. Índio e Fabiano Eller são os guardiões da defesa gaúcha. O primeiro tempo é de muita marcação e termina sem gols. Na segunda etapa, o Inter começa mais organizado. No entanto, a nação colorada é abalada quando o xodó da torcida, Alexandre Pato, sai e dá lugar a Luís Adriano. O atacante, de apenas 17 anos, sentia a pressão da final e não vinha bem na partida. O Inter faz boas trocas de passe, mas as melhores chances são do Barça. Aos 31 minutos, mais uma baixa. Fernandão sente câimbras e tem de deixar o jogo. Adriano Gabiru substitui o camisa 9, que passa a braçadeira de capitão a Iarley. Até então, o Inter sentia o cansaço do fim da temporada e já abrandava seu ritmo de jogo. Mas a história muda quando, em jogada de muita raça, Iarley puxa o contra-ataque e elege Adriano Gabiru para a assistência. Gabiru penetra a área do arqueiro Victor Valdéz e converte, levando ao delírio os milhões de torcedores em vermelho pelo mundo. O Inter teria pouco mais de 10 minutos para segurar a vitória e entrar para a história. Iarley, que já havia sido campeão mundial pelo Boca Juniors em 2000, assume a função de comandar o ataque colorado. O Barça pressiona e aos 37 Clêmer faz sensacional defesa, de mão trocada, no tiro do português Deco. Pouco depois, Ronaldinho Gaúcho, antigo rival colorado nos tempos de Grêmio, tem cobrança de falta na entrada da grande área. A bola tira tinta da trave e passa ao lado direito da meta de Clêmer, totalmente batido na jogada. Nos momentos finais da partida, prevalece a catimba dos atletas brasileiros, que mantêm a bola no campo de ataque e esperam o apito final. Brilha também a estrela do zagueiro Índio, que corta todas as jogadas aéreas do time espanhol. A 20 segundos do final, o último ataque do campeão europeu. Clêmer, novamente, salva o Inter, afastando corajosamente a bola alçada na pequena área. Fim de jogo - O Internacional é o mais novo Campeão Mundial Interclubes. No mesmo estádio em Yokohama, onde o Brasil foi pentacampeão mundial em 30 de junho de 2002, o Inter de Porto Alegre alcança a glória máxima no esporte. Ao superar os super craques do Barcelona, o clube gaúcho mostra, mais uma vez ao planeta, porque o futebol brasileiro deve ser respeitado. enviada por Matheus 14/12/2006 16:15 "O Homem do Ano"
O Homem do Ano este é o título do filme de José Henrique Fonseca, estrelado por Murilo Benício. Na trama, exibida pela Rede Globo no Festival Nacional, em Dezembro, o protagonista ganha a alcunha de O Homem do Ano por conta de uma vida criminosa, iniciada com o assassinato de um bandido temido na cidade. Fora da ficção, o ano que se encerra também teve um dono do pedaço. Trata-se do goleiro artilheiro Rogério Ceni, de 33 anos. Ninguém no futebol brasileiro foi tão badalado quanto ele em 2006. No último dia 4, Rogério Ceni, líder e capitão do tetracampeão brasileiro São Paulo, foi o grande destaque na festa dos melhores do Brasileirão, realizada pela CBF e pela Rede Globo. Rogério, além de faturar o prêmio de melhor goleiro, foi eleito também o craque da competição entre todos os atletas, e recebeu o troféu das mãos do técnico da Seleção Brasileira, Dunga. Um dos maiores ídolos de todos os tempos da torcida do São Paulo, Rogério já tem o seu nome gravado na história do futebol. Além de ser um dos melhores na sua posição entre seus contemporâneos esteve no elenco pentacampeão em 2002 e também foi à Alemanha em 2006 ele virou mito por ser um exímio cobrador de faltas e pênaltis. E a temporada que se encerra foi, com certeza, especial para o arqueiro tricolor, que superou o paraguaio Chilavert como o maior goleiro artilheiro do mundo, chegando à marca dos 68 gols ao longo da carreira. Num campeonato de poucos craques como foi a edição deste ano, Rogério Ceni de fato se sobressaiu. Além do reflexo apurado e de defesas salvadoras, ele terminou o campeonato como o artilheiro de seu time, com 8 gols. Com remotas chances de ter uma nova chance na Seleção Brasileira, já que esta passa por um processo de renovação, Rogério já declarou que pretende encerrar a carreira no time que o consagrou. Por essas e outras, Rogério Ceni talvez seja o mais marcante exemplo, na atualidade, de fidelidade e identidade com um único clube coisa rara no futebol cada vez mais capitalista e globalizado dos novos tempos. enviada por Matheus 02/12/2006 15:15 Salve o Tricolor Paulista!
No ano de 2006, não teve pra mais ninguém. O São Paulo Futebol Clube atropelou a todos e conquistou, com méritos, a primeira divisão do campeonato nacional. O título que veio no final do ano coroou uma temporada brilhante do Tricolor, que antes de faturar o tetra, foi o vice-campeão paulista, da Recopa Sul-americana e da Taça Libertadores da América. Surpreendendo àqueles que temiam um completo desmanche após a conquista do mundial de 2005, o clube fez um brilhante planejamento para o ano seguinte, manteve a base e provou porquê é o clube mais estruturado do país. A equipe encheu os olhos do torcedor são-paulino. Mostrou que na hora de decidir, o conjunto é que fala mais alto. Um time, acima de tudo, homogêneo. Ao contrário do Cruzeiro de Alex, em 2003, do Santos de Robinho, campeão em 2004 e do Corinthians de Tevez, que faturou o caneco no ano passado, o tricolor não contou com um camisa 10 que carregasse o time nas costas, tampouco com um centroavante matador. O segredo do sucesso foi a manutenção da espinha dorsal da equipe, que vem jogando junta há quatro temporadas. Méritos também para o treinador Muricy Ramalho, em cujas mãos foi delegada a enorme responsabilidade de conduzir a equipe recém-campeã mundial. O técnico não deixou a peteca cair. Soube, com muita competência, manter o domínio sobre os atletas, teve pulso firme e seriedade para baixar a bola do time, até que o título estivesse totalmente assegurado. O São Paulo Futebol Clube presenteou sua imensa torcida, que amargava o jejum de 15 anos sem um título nacional. Mais do que isso, ela pôde festejar a conquista, pela primeira vez em sua história, dentro do Morumbi. O futebol brasileiro, como um todo, também saiu vencedor em 2006. Nenhuma suspeita de fraudes na arbitragem e um campeonato disputado inteiramente dentro das quatro linhas. Por tudo isso, ainda vai ser ecoado por muito tempo o grito que embalou o triunfo do Tricolor Paulista: Vai lá, vai lá, vai lá! Vai lá de coração! Vamo São Paulo, vamo São Paulo, vamo ser campeão! enviada por Matheus 18/11/2006 22:23 O Tetra - a história contada de maneira inédita Matheus Espíndola 17-07-2006
A mais ardente das paixões, que reacende a cada quatro anos. A única capaz de mobilizar todo um planeta, controlar o calendário e os relógios do mundo inteiro. Durante trinta dias, as ruas têm uma nova cor e o ar, um clima especial. No coração do brasileiro, a magia da Copa do Mundo se manifesta de modo ainda mais fantástico. As diversas nações que compõem o Brasil, por um momento, se fundem na busca de um único sonho. Está em jogo a supremacia no esporte, o orgulho de ser brasileiro, o desejo de um país soberano e a esperança de dias melhores, apostada em onze pares de chuteiras. Naquele 17 de julho de 1994, há exatos 12 anos, o martírio de toda uma geração entrava em campo novamente. Foram vinte e quatro anos de espera para que enfim voltássemos à final. O oponente era o mesmo de 70, quando triunfáramos pela última vez. De lá para cá, sucumbimos em diversas oportunidades, até mesmo quando parecia impossível tirar de nós o tão almejado tetra. Nosso mais recente fiasco, em 90, havia sido de maneira traumática. Caímos, nas oitavas-de-final, aos pés da arqui-rival Argentina de Caniggia. Para a disputa nos Estados Unidos, não contávamos com um grupo brilhante como o de Telê, em 82, tampouco com a perfeição da seleção de Zagallo, do tri em 70, ou o time de celebridades de 2006. Contudo, mesmo sem dar espetáculo, a seleção de Parreira chegava à final da Copa mais emocionante de todos os tempos, diante da Itália, com a melhor campanha da competição. Na estréia frente à Rússia, brilhou a estrela de Romário, que com oportunismo, em jogada de escanteio, abriu o caminho da vitória. Raí, de pênalti, fechou o placar: 2 a 0. Diante de Camarões, asseguramos, com tranqüilidade, a classificação - 3 a 0, com show do baixinho, que marcou outra vez, assim como Bebeto e Márcio Santos. Na despedida da primeira fase, novamente Romário balançou a rede e garantiu o empate contra a Suécia, em 1 a 1. Com a liderança do grupo B, o Brasil cruza o caminho dos donos da casa, nas oitavas. E, dessa vez, Bebeto foi o protagonista. O magro placar de 1 a 0 sobre os Estados Unidos, em 4 de julho - dia da independência americana - levou-nos às quartas-de-final. O embate contra a Holanda foi a prova de fogo para os brasileiros. Romário marcou primeiro. Em seguida, Bebeto recebe lançamento, dribla o goleiro, e comemora o segundo gol, ninando o filho Matheus, nascido na véspera. A euforia brasileira é abafada quando o time holandês arranca o empate, em poucos minutos. Então, o lateral Branco, de 30 anos, tido pela crítica como um jogador acabado, é contemplado pelo destino. Branco, que só entrara em campo devido à expulsão de Leonardo no jogo anterior, cava falta na intermediária. Ele mesmo bate, de perna esquerda, e a pancada é indefensável. O Brasil vence, por 3 a 2, e avança. Nas semifinais, novamente Romário é o herói. O baixinho de 1,68m supera os grandalhões da defesa sueca e, de cabeça, deixa a bola no fundo do gol de Ravelli. O Brasil está na final! Todos os corações do planeta estão agora envolvidos na disputa pela hegemonia no futebol mundial. Naquela tarde, o calor de 40 graus assolava o estádio Rose Bowl, em Pasadena. Em campo, seis títulos, e os tricampeões Brasil e Itália teriam noventa minutos para decidir quem seria o campeão do século. O time brasileiro pisa o gramado de mãos dadas, como de costume. Ao rolar a bola, as equipes jogam com excessiva cautela, e nenhum dos vinte e dois guerreiros em campo é capaz de inaugurar o placar no tempo regulamentar. A prorrogação de trinta minutos foi em vão, pois as pernas e os pulmões já não davam mais conta. O Brasil, sem o lateral Jorginho, contundido no início do jogo, praticamente já esgotara suas forças. A Itália, ainda mais abatida fisicamente, se segurava como podia e desejava o apito final do árbitro húngaro Sandor Phull. O treinador brasileiro ainda tenta desencantar, com a entrada do jovem atacante Viola. Não é o suficiente. Pela primeira vez na história das Copas, o campeão do mundo seria decidido da forma mais dramática possível, na disputa de pênaltis. Os minutos seguintes são de apreensão. Os jogadores se abraçam no círculo central, em uma corrente de oração. Na primeira cobrança da Itália, o capitão Franco Baresi isola a bola. Pra fora, e muito longe do gol de Taffarel. A Itália se recupera da desvantagem, quando Pagliuca defende o tiro de Márcio Santos. Na seqüência, Albertini converte e põe a Azurra na frente. Romário pede para bater o segundo do Brasil, mesmo sem haver treinado. Ele chuta, a bola caprichosamente desvia na trave direita e entra, 1 a 1. Donadoni cobra para a Itália. O arqueiro brasileiro se desloca, mas a bola vai no meio do gol. Novamente a Itália em vantagem 2 a 1. É a vez de Branco. Ele toma distância e sua bomba santa atinge o alvo, 2 a 2. A equipe italiana vai para a quarta penalidade, com o atacante Daniele Massaro. Ele bate, mas Taffarel evita o gol de maneira fantástica, no canto esquerdo de sua balisa. A seleção brasileira, então, tem a chance de avançar no marcador. O capitão Dunga não desperdiça Brasil a um passo da glória, 3 a 2. A última cobrança italiana fica por conta do maior astro da equipe, Roberto Baggio. Uma defesa do guarda-redes brasileiro significaria o título para sua seleção. E o arremate de Baggio por cima do travessão faz explodir o grito do torcedor verde e amarelo: É TETRA! A seleção brasileira se livra do último fantasma que faltava e nosso peito ensangüentado ganha mais uma estrela. Os heróis do tetra escrevem seus nomes para sempre em nossos corações. A Copa de 1994, a maior de toda a história, tem o melhor desfecho possível: O Brasil volta a mandar no futebol do mundo. enviada por Matheus Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?) |